A Jornada do Heroi – Curso de Liderança


Psicologia, Mitos e o Curso de Liderança

Tema enviado à Academia em 25/09/17:

Expliquem sobre a Jornada do Herói e o que tem de relacionamento com a formação de lideranças.

OK. Vamos à um prólogo para que possamos construir uma resposta adequada sobre um tema complexo.
O Antropólogo americano Joseph Campbell é quem popularizou o termo utilizado, inicialmente, por James Joyce, um escritor Irlandês. De acordo com Campbell a psique humana é essencialmente a mesma, em todo o mundo. A psique é a experiência interior do corpo humano, que é essencialmente o mesmo para todos, com os mesmos órgãos, os mesmos instintos, os mesmos impulsos, os mesmos conflitos, os mesmos medos e as mesmas aspirações. A partir desta observação comum, constitui-se o que Carl Gustav Jung chama de arquétipos, que são as idéias e estruturas em comum dos mitos.

Nossa resposta, por mais simplificada que seja, será dividida em 5 partes. Este conceito é um pouco complexo e requer algumas observações importantes:

  • Origens e Estrutura.
  • Significados.
  • Proposições Contemporâneas nas Organizações.
  • Observações e Criticas.
  • Conclusão e Posicionamento da TrainerBr.

Origens e Estrutura.

Já ouviu falar no termo monomito? Muito bem vamos explicar o que é.

  • Mono – Vem de único, uno.
  • Mito – Um mito é uma narrativa de caráter simbólico. Esta narrativa é relacionada à cultura e procura explicar, por meio da ação e dos personagens, a origem das coisas e o significado da vida. Se for estudar os mitos, verá que é algo muito mais complexo do que expusemos, porém para nosso objetivo esta redução atende plenamente o que iremos lhe mostrar.

Monomito, às vezes chamado de “Jornada do Herói”, é um conceito de jornada cíclica presente em mitos. Pode entender como a narrativa de estrutura única. Como conceito, o termo aparece pela primeira vez em 1949, no livro do antropólogo Joseph Campbell, cujo título é O Herói de Mil Faces. Campbell e outros acadêmicos descrevem as narrativas de Buda, Moisés e Cristo sob o espectro do monomito em constatação que os mitos clássicos de muitas culturas seguem essa estrutura narrativa básica. O padrão do monomito foi adotado também por George Lucas para a criação da saga Star Wars, tanto na trilogia original quanto suas sequências.

Qual é a estrutura básica dos mitos? Se ler sobre os mitos, perceberá que a maioria deles segue uma narrativa linear aonde características estruturais vão se desenhando à cada etapa diferente e esta estrutura repetitiva (monomito) foi identificada como :

  • Mundo Comum – O mundo normal do herói antes da história começar.
  • O Chamado da Aventura – Um problema se apresenta ao herói: um desafio ou a aventura.
  • Reticência do Herói ou Recusa do Chamado – O herói recusa ou demora a aceitar o desafio ou aventura, geralmente porque tem medo.
  • Encontro com o mentor ou Ajuda Sobrenatural – O herói encontra um mentor que o faz aceitar o chamado e o informa e treina para sua aventura.
  • Cruzamento do Primeiro Portal – O herói abandona o mundo comum para entrar no mundo especial ou mágico.
  • Provações, aliados e inimigos ou A Barriga da Baleia – O herói enfrenta testes, encontra aliados e enfrenta inimigos, de forma que aprende as regras do mundo especial.
  • Aproximação – O herói tem êxitos durante as provações
  • Provação difícil ou traumática – A maior crise da aventura, de vida ou morte.
  • Recompensa – O herói enfrentou a morte, se sobrepõe ao seu medo e agora ganha uma recompensa (o elixir).
  • O Caminho de Volta – O herói deve voltar para o mundo comum.
  • Ressurreição do Herói – Outro teste no qual o herói enfrenta a morte, e deve usar tudo que foi aprendido.
  • Regresso com o Elixir – O herói volta para casa com o “elixir”, e o usa para ajudar todos no mundo comum.

 

Significados.

Os mitos, normalmente, falam das grandes aspirações humanas, da superação de dificuldades, desafios, sabedoria, coragem para o enfrentamento do desconhecido, medos, recompensas, fracassos, intuição, amor, paraíso etc…
Se observar bem estas aspirações, verá que tem acompanhado a psique do homem durante as eras. Em nossos dias não é diferente. Os mitos proporcionam ao homem significados diversos e são fruto de aspirações profundas que o próprio homem tem dificuldade de compreensão, por esta razão é que produziram os mitos. Pela falta da compreensão exata. Havendo uma compreensão exata, não há mais a necessidade do mito.

Nossa compreensão sobre muitas das coisas que nos cercam não são precisas, é natural de nossa vida e os mitos vem preencher esta lacuna de percepções, compreensões e conhecimento que ainda não se desenvolveram plenamente.

Proposições Contemporâneas nas Organizações.

A jornada do herói é muito utilizada por Empresas de Treinamento e Desenvolvimento que possuem uma forte abordagem motivacional em seus conceitos. Procuram utilizar-se da sensibilidade e do fascínio que o homem, naturalmente, tem pelos mitos. Desta forma procuram transmitir uma mensagem subjetiva, ou seja, a mesma mensagem que os homens procuraram transmitir aos seus semelhantes através dos mitos ao longo das eras.
Não existe uma técnica definida para experimentação da jornada do herói nas empresas de treinamento que escolhem esta abordagem, como consequência assumem um posicionamento narrativo ou improvisam com dinâmicas que a simulem, como experiências ao ar livre, corridas de aventura, abordagens esportivas e desafios diversos em ambientes lúdicos.

Observações e Criticas.

Os detratores mais ácidos desta abordagem afirmam que a jornada do herói acaba por infantilizar o Treinamento Empresarial. Uma vêz que por inabilidade, ou mesmo falta de conhecimento, em conduzir pessoas à um estado de reflexão, aprendizado maduro e profissional, as Empresas de Treinamento e Desenvolvimento acabam por lançar mão de técnicas recreativas na tentativa de transmitirem mensagens ou conceitos subliminares e vêem nos mitos um recurso à ser explorado.
Porém, como resultado final na aquisição de conhecimentos e conceitos novos, acabam por serem pouco efetivas por não envolverem reflexões e pela exacerbação da experiência sensorial.
Já os que defendem esta abordagem afirmam que experiências comportamentais podem ser muito boas construtoras de conceitos e novos posicionamentos, normalmente os autores e empresas que elaboram esta defesa tem uma forte tendência behaviorista.

Conclusão e Posicionamento da TrainerBr.

Não somos contra o uso desta abordagem, afinal pessoas são diferentes e sensíveis à estímulos diferentes. Não é nossa linha conceitual e de trabalho, porém entendemos que pessoas estão em momentos diferentes de desenvolvimento e todos devem ser contemplados com novas experiências que possam lhes proporcionar algum valor comportamental ou alguma reflexão. O que não serve para um, poderá muito bem servir à outro. Assim é a vida.
O que sugerimos antes de sua organização escolher por esta abordagem é que procure, na leitura do momento intelectivo do time, ao que ele pode ou não estar demandando sob o espectro da experiência motivacional. Pode ser que, mesmo para um time maduro, uma experiência desta natureza seja oportuna, mesmo que recreativamente.
Por outro lado a exacerbação de uma mesma fórmula também pode ser desgastante à equipe e mesclar diferentes abordagens pode ser uma saída para a sua dúvida sobre qual conceito de treinamento devo utilizar.

Muito bem para terminar nossa resposta. O que tem de relacionamento com formação de lideranças?
Ao observar o Curso de Liderança que utiliza-se deste conceito verá que, normalmente, esta abordagem não faz parte do núcleo central, ou seja o seu ponto de partida do qual se construirá todo o restante do treinamento. Normalmente é um recurso utilizado em complemento à um programa mais completo.

Porquê?

Se observar bem, a jornada do herói é, uma abordagem exclusivamente individualista. É somente o herói, seus desafios, suas lutas, sua recompensa, sua consagração heroica e seu retorno à um mundo que o acolhe como herói. A coletividade não aparece nem no final da jornada, se aparecer será como coadjuvante que não teve nenhuma participação, ou importância, para o herói e sua saga. A presença da coletividade na jornada do herói é totalmente dispensável.

Líderes individualistas é o que menos as organizações precisam. Por outro lado há momentos em que as lideranças tem de assumir o comando, pleno e individualista, para lidarem com crises, conflitos ou mesmo desafios de ordem pessoal. Portanto uma experiência individualista pode ser oportuna nestes momentos, mas nunca pode ser o modus operandi da liderança. Uma questão sensível que trataremos em outra publicação.
Além do mais o Treinamento para Líderes deve abordar outras questões conceituais como ética, coletividade, transparência etc..
Para as lideranças, cremos que uma abordagem de natureza individualista seja mais de espectro refratário do que reflexivo. Resumindo a equipe deve ver em seu líder o reflexo do time, deve identificar-se com a liderança e possuir diversos pontos em comum, porém ter maturidade, o suficiente, para entender que em alguns momentos o líder terá de decidir sozinho, individualmente, sob uma escolha individualista e refratária.

Sua pergunta foi sobre um conceito bastante complexo, principalmente quando associamos este conceito ao Treinamento Empresarial. Esperamos que, se não tivermos respondido plenamente, pelo menos tenhamos lhe proporcionado uma boa introdução sobre o tema.

 


Fonte da Matéria : TrainerBr

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