Aspectos Culturais do Trabalho – Curso de Liderança

Aspectos Culturais do Trabalho – Curso de Liderança.

Um dos desafios de qualquer liderança é a desconstrução do conceito comum de trabalho para a reconstrução em um conceito mais produtivo e eficaz. Durante os últimos 100 anos construímos um conceito de trabalho produtivo preso à processos, reduções de tempo, desperdícios e ao aumento da velocidade e sempre com a inserção de mais tecnologia em nossas atividades.
Não poderia ser diferente e faz parte de nossa evolução natural e tecnológica. Porém no que tange à comportamentos coletivos e produtivos avançamos muito pouco e deixamos ao encargo das lideranças, das ações motivacionais e muitas delas quase ideológicas a tarefa de despertar pessoas para a força criativa e espontânea da coletividade. Esta constatação fica óbvia ao percebermos que a preocupação com os modelos culturais nas organizações ainda é algo recente e a relação cultural hodierna, e intrínseca com o trabalho, ainda é uma distorção cultural que trazemos de longe.

Esta distorção cultural é tão simples de se detectar, porém tão profunda para se corrigir que muito poucas lideranças estão aptas à lidar com esta questão.
Basta perguntar à qualquer um dos colaboradores de qualquer organização se gosta de trabalhar e a resposta será somente uma : Claro que gosto, mas em sua maioria são respostas políticas ou estratégicas. Aos olhos do bom observador o verdadeiro conceito de trabalho revela-se, não no que dizemos, mas em como agimos. Aí está o verdadeiro modelo cultural revelando-se inevitavelmente.
Atrás desta resposta estão conceitos revelando-se nas atitudes e bem sabemos que o que se fala, geralmente, não é traduzido pelo que se faz. Se pretende saber mesmo a verdade sobre o conceito de trabalho, observe os comportamentos, pois o discurso contemporâneo tende à ser demasiadamente político, principalmente nas organizações. Um gestor inapto à realizar estas leituras, é inapto à liderar.
Quais são estas observações? Basta olhar para o comportamento da maioria que:

  • Trabalham exclusivamente por necessidade.
  • Associam trabalho à fadiga.
  • Não vêem a hora de chegar a sexta feira, uma pequena oportunidade na semana de se fazer o que gosta que, claro, não é trabalhar.
  • O objetivo final da vida é a aposentadoria, ou seja, não trabalhar.
  • A maioria traí seu próprio discurso com afirmações pueris do tipo : Se eu ganhar na loteria vou curtir a vida e nunca mais trabalhar. Traduz aqui a que a boa vida é a de quem não trabalha.

Não é nenhum defeito nos relacionarmos assim com o trabalho, é apenas uma construção cultural vinda de muito, mas muito longe. A maioria herdou esta construção cultural do próprio berço ouvindo os pais elaborando sobre o sacrifício de trabalhar para o sustento da família. Trabalhar não está relacionado ao prazer, mas sim ao sacrifício, ao sofrimento, ao não aproveitar a vida etc…

O desafio não é assumirmos uma posição crítica e negativa diante desta construção cultural, mas sim pensarmos será que não conseguimos evoluir nossa relação com o trabalho para algo melhor, mais produtivo, mais prazeroso e próspero?
Vamos começar nossa reflexão partindo da origem cultural, conceitual de trabalho.

 

Origem do conceito.

A própria origem da palavra trabalho traduz este conceito. A palavra trabalho vem do latim tripalium.
Tri, que significa “três” e palum “madeira”.
Tripalium era um instrumento de tortura constituído de três estacas de madeira afiadas e comum em tempos remotos na região europeia. Originalmente, “trabalhar” significava “ser torturado”. Se reparar bem ainda este é o conceito em muitas mentes.
Os escravos e os pobres que não podiam pagar os impostos sofriam torturas no tripalium. Quem “trabalhava”, naquele tempo, eram as pessoas destituídas de posses, assim como em nossos dias. O trabalhar associado à tortura passou a dar entendimento não só ao fato de tortura em si, mas também às atividades físicas produtivas realizadas em geral por camponeses, artesãos, agricultores, pedreiros etc.

Do latim, o termo passou para o francês travailler, que significa “sentir dor” ou “sofrer”. O sentido da palavra passou a significar “fazer uma atividade exaustiva” ou “fazer uma atividade difícil, dura”. No século XIV começou a ter o sentido genérico que hoje lhe atribuímos que é o de aplicação dos talentos e habilidades para alcançar um determinado objetivo.
Esta construção cultural é mais antiga do que parece, nas sociedades gregas e romanas, o trabalho não era coisa para as aristocracias e abastados, mas sim coisa para escravos. Quem era importante e quem precisava produzir alguma coisa importante para a sociedade não podia se ocupar de algo tão rasteiro como o trabalho. Para se ter uma idéia da aversão que a aristocracia tinha do trabalho, no séc I AC a população romana era composta de, aproximadamente, 40 % de escravos. Eram os que trabalhavam. Em cada 10 pessoas sob a égide do império 4 eram serviçais e escravos, quase metade produzindo para o sustento da outra metade.

Desafios das Lideranças.

Não é à toa que nosso conceito de trabalho ainda resiste à sua idéia original. Se livrar de séculos de herança cultural pode não ser uma tarefa fácil. Porém o que vemos no Curso de Liderança é que o ser humano é mutável, como consequência esta cultura pode ser mudada. Exige uma liderança consciente deste conceito herdado que ainda reside na mente dos colaboradores das organizações, mesmo que não o saibam, pois revela-se sob o espectro cultural profundo, logo nas atitudes.
Pensemos então no que reorienta o ser humano num processo espontâneo. Quando dizemos espontâneo tratamos de um elemento condicionante para a mudança. Por que condicionante?
Simplesmente porque quando o ser humano é reorientado à força, o resultado é somente um : Conflitos. Ao passo que quando sua reorientação é espontânea o resultado passa à ser evolução, melhoria, upgrade ou avanço. É uma lei intrínseca da vida.
Mas o que faz com que o ser humano se reoriente espontaneamente?
A resposta é: Significados. Algo difícil de se construir, ou captar, nos liderados. Um enorme desafio para as lideranças.
O desafio é dar novos significados ao trabalho e que sejam significados poderosos ao ponto de serem substitutos de influências culturais anteriores.

Como o Treinamento Empresarial lida com o Tema?.

As Empresas de Treinamento e Desenvolvimento esforçam-se todos os dias promovendo ações motivacionais, elaborando novos temas e novas atividades à serem introduzidas nas organizações com a finalidade de aumentar performances, estimular ações e reorientar comportamentos. Indiretamente é a tentativa da construção de uma nova forma de se relacionar com o trabalho.
Este novo relacionamento procura a reconstrução cultural do instrumento de tortura (tripalium) num instrumento de desenvolvimento (oportunidade).
Uma tentativa legitima, honesta e válida Num mundo de profundas e rápidas mudanças como o que vivemos, as oportunidades não faltam e, como o ser humano tráz intrinsecamente o desejo por desenvolvimento pessoal, porquê não unir o útil ao agradável tornando o trabalho neste instrumento de desenvolvimento pessoal?

Resumindo, dar oportunidades aos colaboradores para, através do seu trabalho atingirem objetivos pessoais de desenvolvimento. Uma vêz desenvolvendo-se acabarão por desenvolver, também, a organização. Uma soma de resultado positivo à ambos.
Uma das afirmações que fazemos na Palestra de Liderança e sem medo de erro é que as organizações, as que irão se desenvolver nos novos tempos que se desenham, serão a organizações que se tornarem escolas para a vida, dando oportunidades de desenvolvimento, reconhecendo este desenvolvimento e formando novas gerações de pessoas e profissionais para o desenvolvimento o tempo todo. Organizações que possuem lideranças conscientes deste papel.
A vida retribui o desenvolvimento com a produtividade, sensação de prazer, inovação e o desejo de se realizar cada vêz mais. Também retribui o atraso com a sensação de frustração, quando não, com sofrimento e colapso. São mecanismos naturais.

O Treinamento para Líderes já não será orientado à produtividade, uma vêz que a produtividade será somente a resultante natural do desenvolvimento e não a finalidade última do desenvolvimento, como nos dias de hoje.
Isto redunda em uma reconstrução de conceitos das próprias lideranças que também terão de passarem por suas reorientações culturais. Não são somente os colaboradores que estão presos ao tripalium, a maiorias das lideranças também.
Mas como a história nos mostra, as mudanças virão dos líderes, caso contrário não haverá ninguém liderando estas mudanças, o que nos parece uma contradição.
É um desafio também para quem ministra um Curso de Liderança plugado com as tendências do seu próprio tempo. Afinal ações motivacionais, ou abordagens de superfície, não forjam culturas. O que forja a cultura é o esgotamento das fórmulas anteriores que utilizamos para viver (e trabalhar) novas reflexões, novos significados e líderes que levam adiante as mudanças.
O tripalium já não serve mais, mas o que colocar no lugar dele? Pode ser que ainda não esteja tão claro à todos, mas será algo que trará novos conceitos, significados e novas possibilidades. Mesmo não sabendo detalhadamente o que será temos de admitir que a percepção de que o conceito antigo já não serve mais já é um ótimo primeiro passo.
O desenvolvimento de pessoas só pode acontecer quando e aonde há o desenvolvimento cultural, quando deixamos para tráz as fórmulas velhas, caducas e criamos novas e melhores fórmulas de nos relacionarmos com tudo o que fazemos, inclusive o trabalho.

 


Fonte da Matéria : TrainerBr

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