Benditos Perdedores – Garantem os Vencedores


Winners & Loosers – Curso de Liderança

Pergunta enviada em 18/10/17 :

Porque as lideranças sempre querem compartilhar o sucesso, mas na hora do fracasso sempre procuram por culpados?

Modelos culturais, imaturidade e indução do próprio sistema.
Esta é a resposta para a sua pergunta, mas merece maior aprofundamento. Este tema é elaborado na Palestra de Liderança.

Vamos respondê-lo através das análises dos fatos e dos comportamentos e depois faremos algumas considerações à luz do Curso de Liderança contemporâneo.

Análises dos Fatos e dos Comportamentos Reais.

Nossos modelos culturais são permeados de mitos horrorosos e ainda turbinados pelos conceitos contemporâneos de sucesso e fracasso. Mas como não vamos aqui tecer somente teorias (vamos deixar para a outra parte de nossa resposta), vamos observar aquilo que você vê no dia a dia ao observar o comportamento dos colaboradores das organizações, sem o medo das reações emocionais.

Antes de analisar os comportamentos, vamos contextualizá-los. Então temos de pensar um pouco mais.

Ora, vivemos num ambiente aonde todos são avaliados o tempo todo. Ou através da comparação de valores ou, nas organizações, pelas avaliações de desempenho. Aliás a avaliação do desempenho é uma ótima idéia, porém sendo levada adiante tragicamente nas organizações e produzindo mais prejuízos organizacionais do que benefícios por puro despreparo e influência de modelos culturais que beiram o lamentável.

Muito bem agora imagine neste ambiente aonde todos são avaliados constantemente a adição do ingrediente de modelos culturais que tem a percepção do sucesso e fracasso mais ou menos dividido entre loosers e winners. Coisa de gente imatura mesmo.
Para piorar ainda mais o cenário, a organização ainda tem uma política de premiação, incentivada pelo RH, baseada na meritocracia. Quem tem o desempenho dentro do esperado são os aplaudidos. O primeiro lugar, então, é aquele que irá receber a viagem para porto seguro, um final de semana com a família num resort qualquer, irá sair no jornal da empresa e ganhará o sorriso dos chefes. Estes são os winners.

 

Já o resto……. Coitadinhos do restolho.

Resto é meio agressivo?

O resto são os loosers que são aqueles que não terão o sorriso dos chefes, nem vão para porto seguro e o RH não irá coloca-los no jornal da empresa.
Ao observar-se que não melhoraram vão pra rua (you´re fired – já viu O Aprendiz?) e, depois que forem demitidos, ainda servirão de mau exemplo para aterrorizar os que ficaram na organização, mesmo que não estejam presentes, ainda serão loosers. Para o resto de suas vidas. Para o resto de suas vidas serão perdedores e nossa organização não tem lugar para perdedores, ou mudam ou até logo, vá ser perdedor em outro lugar. Não aqui.

Uma relação doentia.

Assim é o mundo corporativo. Winners compartilham o sucesso e os loosers são os responsáveis pelo fracasso numa constante relação doentia.
Loosers ao serem responsáveis pelo fracasso, ao mesmo tempo são garantidores dos que tem sucesso, ou dos winners.
Resultado lógico = Winners aterrorizados de um jeito e loosers de outro.

Winners aterrorizados pela possibilidade, apesar de remota, da inexistência dos loosers, nesta condição não seriam mais winners e ficariam sem chão. O que fazer? Sem loosers sou apenas um mediano e não suporto ser um mediano, preciso de loosers para continuar um winner. Ai começam todos os tipos de estratégias, sabotagem, sigilos e dissimulações que possa imaginar numa organização. Claro, tudo veladamente para que eu não seja pego na minha incapacitação e prejudicando o sistema em nome da manutenção do meu status de winner.

Já os loosers, os fracassados, viveriam muito melhor sem os winners. Os winners só existem para me chatear, são uma pedra no meu sapato e uma referência para que me chutem o traseiro. Portanto nada melhor do que procurar me livrar dos winners. Ai começam todos os tipos de estratégias, sabotagem, sigilos e dissimulações que possa imaginar numa organização. Claro, tudo veladamente para que eu não seja pego na minha incapacitação e prejudicando o sistema tentando transformar todo mundo em loosers. Assim não havendo diferenças, ninguém será winner, nem looser e todos serão medianos.

Esta lógica do looser é tão louca quanto à do winner e ambas não passam de sabotagens ao desempenho coletivo.
Será que existe uma forma mais inteligente de se viver, numa organização, em alternativa à uma relação doentia destas? Será que ainda somos tão precários assim?

Contradições.

A grande contradição é que muitas organizações funcionam assim mesmo, mas fazem um esforço enorme para estarem entre os politicamente corretos e não assumem seu próprio DNA.
Um dos maiores indicadores de uma organização imatura, consequentemente com líderes imaturos. Achar que o DNA é o que está expresso na carta de valores e não como de fato a organização se comporta, como funciona na realidade porque assim o seu DNA (só que agora o real) à induz, de fato.
O DNA da organização é o que está no papel e não o que se traduz na vida real. Faz sentido? É funcional?
…… Ou é coisa de loosers?

Maturidade – O Desafio.

Quando a organização percebe seu verdadeiro DNA, aquele que existe de “facto” e não de “jure”, começa toda a confusão, uma enorme confusão. Geralmente quem percebe isto são somente os líderes de “facto”. Os líderes de “jure”, nesta hora, somem.
Ninguém quer assumir a culpa pelo verdadeiro DNA da organização e a única razão para isto é o medo. Medo da perda de posição. Medo de sair do time dos winners para os loosers. Medo de perder o emprego. Medo de não estar mais no comando, Medo de mostrar suas incapacitações etc..
Enfim medo, sempre o medo que é fruto da imaturidade e da fragilidade que modelos culturais imaturos não conseguem sustentar por muito tempo.

  • Mas há uma saída!!!! Calma pessoal há uma saída!!!!
  • A saída está lá nas avaliações de desempenho.
  • Precisamos de bodes expiatórios.
  • Nada melhor do que avaliações de desempenho para garimparmos quem serão nossos salvadores, dentre os loosers.
  • Benditos loosers, graças a eles é que muitos gestores, capatazes e outras criaturas corporativas poderão seguir adiante. Está vendo como até os loosers tem uma função na vida?
  • Manter, sustentar os Winners? Benditos loosers!!!!!
  • Ainda bem que vivemos num sistema que induz à solução dos nossos problemas.
  • Somos assim mesmo e não temos vergonha nenhuma de sê-lo, mas por uma questão de marketing vamos mostrar algo diferente, para que os politicamente corretos não nos achincalhem diante da opinião pública, afinal nossa organização tem uma imagem à ser preservada e, imagem é tudo.

Sob a Luz do Curso de Liderança Contemporâneo.

Claro que o cenário que desenhamos acima é um cenário caricato, uma mistura de trágico e cômico, mas temos de levar em conta que tem uma origem bem definida e está bem próximo do humano. Tragica e comicamente humano.

Em resposta à sua pergunta, isto acontece porquê é humano. E não somente nas organizações, mas em qualquer lugar aonde hajam seres humanos. Se não se policiar, acontecerá até com você.

O fato é que o exagero que ilustramos acima acaba por ser uma tradução do que produzem os modelos culturais imaturos, paradoxalmente aos discursos. Se observar bem parece o procedimento de crianças pouco educadas, destituídas do mínimo de valores, imaturas mesmo.
Mas esta é a percepção, ainda, de um número impressionante de pessoas que, claro, não a reproduzem publicamente. Ou ainda poucas as reproduzem publicamente, por estarem livres de ameaças que podem acarretar. Como esta proposição não nos atinge em cheio, como pode acontecer para outras organizações que ocupam-se do Treinamento Empresarial, somos livres para expô-las.

É o aspecto cultural dos indivíduos revelados de uma forma desnudada, real e pouco iluminada por Empresas de Treinamento e Desenvolvimento que ocupam-se do Curso de Liderança.
Até entendemos porque as empresas, que ocupam-se do Treinamento para Empresas, que construíram suas imagens corporativas numa outra abordagem, talvez mais politicamente corretas, tem muito à perderem se renderem-se à um discurso mais ácido e que massageia menos a psique e os mitos corporativos.
Há um enorme risco de perda de mercado nisto.
Como já temos nosso público bem definido e como sempre produzimos materiais de cunho crítico à este nível, não estamos sujeitos à este tipo de ameaça e podemos encarar os fatos mais objetivamente.

Falar de modelos culturais, maturidade e indução sistêmica não é fácil e encontramos nesta caricatura um meio de fazê-lo eficazmente. Muito bem, depois desta caricatura exagerada e deste teatro todo, vamos seguir em frente.

Líderes Contemporâneos.

Ao continuarmos nossa reflexão verá ainda que é exatamente este cenário que os líderes, maduros e bem treinados, das organizações procuram combater com todos os seus recursos.
Já tem a clara percepção de que o mundo organizacional dividido entre loosers e winners, culturalmente é nocivo, improdutivo, esconde problemas graves e revela a falta de preparo intelectual das lideranças numa abordagem mais inteligente na gestão de pessoas e de resultados “de facto”. Parece que não, mas muitos destes aspectos culturais e seus resultados paradoxais é quem minam, limitam e comprometem o desenvolvimento organizacional e muitos líderes, não todos, estão bem conscientes do tamanho do problema comportamental que tem de enfrentarem.

É um sinal bem positivo, uma vêz que a identificação do problema já é meio caminho para uma solução.

O desafio para estes líderes não é pequeno. Além de serem grandes desafios, nunca acabam pois pessoas entram e saem das organizações todos os dias trazendo junto consigo seus modelos culturais e suas distorções comportamentais.
Temos conversado com executivos de todos os níveis e percebemos que, muitos, trazem esta preocupação como uma constante e, muitas vezes, como principal objetivo para o desenvolvimento humano e organizacional. Resumindo uma preparação mais humanizada, ao mesmo inteligente e com a profundidade da reflexão mais honesta possível de seus colaboradores em posição de liderança.
Alguns nos oferecem resultados bem bacanas, mas outros desafios enormes e fruto de esforços que ao longo dos anos não tem produzido resultados tão visíveis, mas nunca desistem e, cremos, que estão no caminho certo.

Esperamos ter respondido sua pergunta e lhe fornecido um panorama completo em torno do tema.

 


Fonte da Matéria : TrainerBr

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