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Duvidas – Curso de Liderança

Dificuldades Ambientais do Curso de Liderança.

 

Em nossa publicação anterior lhe mostramos um pouco das razões pelas quais o curso de liderança foi se tornando, ao longo do tempo, complexo e cada vêz mais desafiador. Basicamente mostramos que o acúmulo de conhecimento em torno das manifestações do comportamento humano, seja na vida pessoal ou privada, foi gestando diversas disciplinas diferentes e cada uma com suas complexidades peculiares. Nossas formas de organização e nosso conhecimento simplesmente ficaram complexos, isto aconteceu para todas as disciplinas que compõe o conhecimento humano.

Até aqui falamos, mais ou menos, de dificuldades intrínsecas mas existem outras dificuldades que são as ambientais, ou podemos chama-las de culturais. O que são estes desafios?
Existem diversos fatores, mas mencionaremos 2 deles que, em nossa visão impactam fortemente para que um estudo mais aprofundado da liderança não aconteça. No entanto alertamos que sem um estudo aprofundado da liderança não existem líderes, ou faz com que as lideranças aconteçam por casualidades, por fatores circunstanciais que estão fora do espectro de ação humana. Verá que a maioria das lideranças do passado aconteceram assim.

 

O Pensamento Pragmático e o Curso de Liderança.

O primeiro, e contundente fator, é o próprio pensamento pragmático do homem industrial.
Apesar de vivermos numa época pós-industrial, pensamos ainda como o homem industrial ou seja, o pragmático, o realizador, o que tem pressa, o produtivo, o indivíduo das urgências, preso a prazos e resultados enfim, o homem industrial pensa industrialmente e assim age, nada mais natural.
O homem industrial se acostumou com sistemas altamente eficazes que auxiliam-no a fazer tudo com rapidêz.

Acontece que existem coisas que a natureza ainda não nos permite acelerar tanto, com o curso de liderança que quer mesmo treinar líderes é assim. Não é de se estranhar que um dos mais concorridos cursos de liderança do mundo, o da Harvard Business School, tem uma grade curricular de 6 anos para ser completada. Ou a HBS está enrolando o resto do planeta que paga uma fortuna para a realização destes cursos, ou o tempo para uma formação sólida de líderes demanda tempo mesmo.

Ficamos com a segunda opção.

Para certos aprendizados, ainda não conseguimos uma aceleração cognitiva. Para que seu filho ingresse numa universidade você terá de, inevitavelmente, prepará-lo no mínimo durante uns 17 ou 18 anos em caso de sucesso pleno, sem falhas. Se ele der umas patinadas no aprendizado e tiver de repetir algumas etapas, este tempo de preparação (somente para ele ingressar numa universidade) levará uns 20 anos ou mais.
Já para se formar um profissional (inexperiente e de terceiro nível) serão necessários mais uns 4 ou 5 anos (depois que entrar numa universidade). Não tente fazer tudo isto em 10 ou 15 anos, a não ser que seu filho seja um gênio superdotado. A natureza das coisas não permitirá. Pelo menos até o momento é assim. O futuro ainda está em aberto, mas por enquanto funcionamos assim.

Agora fica a pergunta. Por que será que um curso de liderança poderia formar um líder num final de semana, ou em 10 dias, ou em 3 meses? Será que a coisa é tão fácil assim? Se for tão fácil assim, porquê líderes ainda são uma raridade? Não existe alguma coisa ai que não está batendo com a realidade dos fatos?

O que pudemos observar, ao longo do tempo, é que a urgência pela manutenção industrial de indivíduos em posição de liderança exerceu pressão sobre o treinamento de liderança e a tecnologia permitiu que fossem gestadas soluções cada vêz mais slim para a formação de lideranças. Se nas antigas escolas de liderança Européias do Séc XVIII (que não tinham este nome na época) demandava alguns anos para a formação de indivíduos aptos a liderarem militarmente, politicamente, logisticamente ou industrialmente, agora temos a solução rápida, slim de alguns dias e, no pior das hipóteses, alguns meses.

Mas aonde estão os líderes contemporâneos? Será que todos resolveram sumir de uma vêz? O que vemos, o tempo todo, são muitas pessoas em posição de comando, mas são de fato líderes ou simplesmente estão no comando? Seriam seguidos se não estivessem na posição de comando?

O pensamento pragmático do homem contemporâneo, apesar de todas as suas qualidades, não resolve certas questões simplesmente porquê a vida assim não o permite. Com o aprendizado da liderança não é diferente.
Não significa que todos os portfólios do treinamento de liderança de algumas horas, ou alguns dias, sejam lixo industrialmente produzido para atender uma demanda pragmática e industrial. Nem todas as empresas de treinamento e desenvolvimento de líderes tem portfólios irresponsáveis e desconectados do conhecimento. Muitos cursos de liderança de curta duração focaram-se, inteligentemente, nos conceitos e fundamentos.

Resumindo, em algumas horas trabalham nos alicerces, ou nos conceitos e fundamentos, ao passo que o desenvolvimento destes conceitos e fundamentos fica a cargo das organizações que se dedicam a programas continuados de formação de lideranças ao longo do tempo. As organizações absorvem os conceitos e desenvolvem-no com o tempo, algumas tem mais sucesso do que outras mas, em resumo, é assim que acontece. Fora isto, é enviar seu colaborador para Harvard, mas avisamos, vai sair caro!!!
Os melhores treinamentos de liderança que pudemos encontrar, de curta duração, tem este exato perfil e são portfólios honestos, maduros e legitimados por aquisições de conhecimentos sólidos.

Claro sempre haverão aqueles que acompanham uma boa maré de negócios e, aproveitando-se da urgência do homem pragmático moderno, acabam por gestarem uma enorme colcha de retalhos e oferecem-na ao mercado sob títulos como : “Liderança Sistêmica”, “Liderança Emocional”, “Liderança Assertiva”, “Liderança Isto” ou “Liderança Aquilo” e assim a vida segue. Mas não estamos aqui tratando destas organizações. Focamo-nos nas que, seriamente, tem algum interesse honesto no tema, além da venda de um produto slim.
O primeiro fator ambiental (externo) que colocamos é o senso de urgência do pensamento pragmático ou do homem industrial (ou pós-industrial). Havendo urgência na aquisição de um conhecimento complexo ou na realização de uma tarefa complexa, é natural que sejam grandes as chances do conhecimento ser adquirido precariamente (muito comum) ou a tarefa ser executada com falhas (mais comum ainda). Basta uma breve observação do ambiente a sua volta e verá inúmeros, e estridentes, exemplos de lideranças assim.

 

A Desinformação e o Curso de Liderança.

Outro fator ambiental que impacta muito na dificuldade de formação de lideranças é a desinformação de quem pretende desenvolver programas continuados. Normalmente confunde-se boas práticas de gestão administrativa com liderança.
Aproveitando-se desta lacuna de conhecimento e da falta de uma pesquisa prévia por quem contrata um treinamento de liderança, muitas empresas de treinamento acabam ofertando o curso de gestão de pessoas.

Quem contrata acha que está realizando um curso de liderança e quem vende, em muitos casos, acha que também está vendendo um curso de liderança. Acaba por resultar que um mal informado ensina um não informado e ambos se dão por satisfeitos.
Não é de todo ruim, afinal algo de conhecimento foi adquirido. Por outro lado há uma retroalimentação da desinformação. Quanto a este problema percebemos que somente o tempo poderá resolvê-lo.
Em entrevistas de briefing vemos isto o tempo todo, organizações que querem um curso de liderança contratando um curso de gestão de pessoas sem o saber. Como o dissemos não é de todo ruim e faz parte do aprendizado coletivo em torno de qualquer tema, mas ainda é disfuncional.

Outro problema que a desinformação tráz se reflete nas posturas, ou tratativas, pós-treinamento. Não raro vemos empresas e pessoas julgarem que, uma vêz realizado o curso de liderança, o indivíduo possui todos os conhecimentos e requisitos para liderar. Esta deficiência acontece, além da desinformação do contratante, pela falta de orientação da própria empresa que ministrou o treinamento empresarial contratado. As vezes por medo (ou mesmo desinformação) não orientam a organização contratante a evoluir com o conhecimento adquirido durante o treinamento. Como uma mente pragmática (apressada) não se foca nos detalhes, ou tem dificuldades de se focar em detalhes, esta nuance do desenvolvimento da liderança passa desapercebida e a liderança não acontece, o conhecimento é esquecido e não há desenvolvimento percebido.

Vimos também casos aonde a desinformação leva a tentativa de manutenção dos conceitos do treinamento de liderança, ministrado anteriormente, através de programas subsequentes de palestras. Uma palestra de liderança aqui, uma palestra motivacional ali e assim a vida vai. A idéia em si não é ruim, o problema aparece quando percebemos que a palestra de liderança (por exemplo) se choca, conceitualmente, com alguns pontos desenvolvidos no treinamento de liderança. Na mente do trainee pode se formar uma confusão de conceitos e distorções indesejadas. Voltamos a dizê-lo, a idéia não é ruim, mas é importante a verificação se o que será exposto em palestra afina-se com os conceitos elaborados previamente no treinamento de liderança.

O leitor pode estar se perguntando : Se eu sou um marinheiro de primeira viagem, como se precaver diante de tantas nuances? Como começar um programa de formação de lideranças com um roteiro mais ou menos seguro ou que minimize as falhas mais comuns?

Esta é uma outra história que lhe contaremos em outra publicação.

Até breve.

 

Fonte da Matéria : TrainerBr

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