Mitos – Curso de Liderança


O mito corporativo das Zonas de Conforto – Curso de Liderança

Pergunta enviada em 30/10/17:

Ao assistir um Curso de Liderança e Gestão de Pessoas, parece que já assisti todos. Todos, sem exceção repetem o jargão corporativo de “tirar pessoas das zonas de conforto”, mas nunca vão fundo no tema com proposições e elaborações mais claras? Aonde está o bloqueio para evoluir-se com este assunto?

Temos aqui 2 perguntas claras.
A resposta mais objetiva começará pela segunda pergunta. A resposta da primeira pergunta é um pouco mais complexa, apesar das 2 perguntas interligadas.

Começando, então pela segunda pergunta a resposta é: O bloqueio está na falta de preparo de quem defende teses que não conhece.
Este problema é mais comum do que se imagina no Treinamento Empresarial. Existe um exército de treinadores repetindo inúmeros jargões, como disse, sem entender com alguma profundidade sobre o que estão disseminando e nem quais suas origens.

Nós chamamos de mitos corporativos e existem muitos.

Zonas de Conforto = Crença Corporativa.

Para responder bem a sua primeira pergunta vamos, de uma forma simplificada, ao conceito comum que se tem das zonas de conforto :

  • Na psicologia, a zona de conforto é uma série de ações, pensamentos ou comportamentos que uma pessoa está acostumada a ter e que não causam nenhum tipo de medo, ansiedade ou risco.

Pronto! Não precisamos ir além disto, pois este é o conceito mais comum. O conceito está correto, mas sua interpretação beira ao trágico. Nosso objetivo não é um tratado antropológico, ou psicológico, em torno das zonas de conforto. Vamos nos ater ao senso comum.
O primeiro tiro certo que se dá não é no conceito (que é correto) mas na interpretação, diga-se de passagem pobre, de quem o repete sem o aprofundamento devido. Chamaremos estes indivíduos aqui de “indivíduos com a síndrome da repetição”, uma definição que utilizamos em forma de paródia, pois estes indivíduos tem preguiça em se aprofundarem em torno do tema.

Nas mentes comuns o “estar na zona de conforto” é algo negativo e que estaciona o indivíduo. Quase um impedimento para que continue se desenvolvendo por estar numa zona segura. É !!! Não existe maior equívoco de quem não racionaliza sobre conceitos que chegam ao seu conhecimento, ou indivíduos com a síndrome da repetição.
Poucos levam em conta de que um indivíduo possa estar em sua zona de conforto porquê domina plenamente sua técnica, sabe tornar em ação o que conhece com excelência, é um expert ou simplesmente ama o que faz. As zonas de conforto, em sua concepção comum e pobre, estão associadas a preguiça ou à falta de vontade em se fazer algo melhor. Preguiça é uma coisa, zona de conforto é outra bem diferente, mas quem não racionaliza sobre o tema não percebe.

Um dos resultados nefastos, para quem crê na distorção do conceito e pela preguiça da racionalização, é que acabam tratando todo mundo como preguiçosos incluindo aqueles que estão em suas zonas de conforto por expertise, por talento, por capacidade ou por prazer no que fazem.
A consequência é que, o indivíduo que não racionaliza muito bem, acaba repetindo aquilo que chegou até ele como um conceito pronto. Afinal algum guru de sucesso ou acadêmico (nem todos acertam sempre) elabora sobre esta questão e a propõe ao público, neste caso o “indivíduo com a síndrome da repetição”, e bingo!!! Temos uma nova verdade corporativa que será parte integrante dos portfólios das Empresas de Treinamento e Desenvolvimento muito rapidamente, sabe porquê isto acontece?
Porquê tem referência e os interlocutores adoram quando alguém solta uma pérola qualquer e começam a frase assim : Segundo Warren Buffet, ou segundo Steve Jobs, ou segundo Jack Welch e assim por diante.

Eles pensaram por mim, logo não preciso pensar. Assim funcionam os preguiçosos e acabam distorcendo muitos conceitos.

Sabe o que está na raíz comportamental dos “indivíduos com a síndrome da repetição”. Eles mesmos estão em suas “zona de conforto da preguiça” e lhe orientando à tirar os outros das suas respectivas zonas de conforto, como se lá estivessem pelo mesmo motivo, ou seja a preguiça. Parece funcional? Não é meio “non sense”?

 

Porquê os “indivíduos com a síndrome da repetição” estão na zona de conforto da preguiça?

 

É muito simples !!

É uma verdade que já vem pronta e acabada e sua origem é uma fonte conhecida por todos, ou seja tem referência.
Independentemente de ser um sofisma, para que pesquisar mais sobre o tema? Se quem dá a devida credibilidade ao (suposto) sofisma é uma figura pública, aclamada, ícone e invejada pelos demais, o meu trabalho de convencimento já está feito, basta repetir o sofisma.
Não preciso pesquisar sobre o tema, não preciso me esforçar para saber mais, não preciso ter trabalho afinal a fórmula já está pronta e o segredo é apenas repetí-la, sem racionalização e sem esforço. Fazem o papel de papagaios.
Por esta razão não conseguem ir mais a fundo no tema, e também não querem. Normalmente um papagaio quer é ficar mesmo no puleiro repetindo o que falam à sua volta, é sua zona de conforto.

Parece um comportamento de quem está na Zona de Conforto? Hummmmm!!!!!!

Abordagem do Curso de Liderança – Módulos Avançados.

No Treinamento in Company esta é uma das perguntas mais recorrentes, afinal a proximidade entre treinadores e trainees gera uma liberdade adicional, em função da proximidade pessoal e do relacionamento ao vivo.

O nó da questão é mais ou menos o seguinte, dizemos mais ou menos por que não queremos lhe dar respostas prontas e desejamos que pesquise um pouco mais sobre o tema, as pessoas confundem o tirar alguém da sua zona de conforto com o provocar, deliberadamente, o desconforto para esta pessoa.

Normalmente o resultado é o atrito. Quando não há o atrito, geralmente é por concessão, de quem foi vítima do desconforto deliberado do outro.
Ainda há aqueles que, para colocar uma maquiagem nesta postura, defendem que o ideal é dar um desafio intencionalmente pensado, para que haja o desenvolvimento. A grosso modo, fazem a mesma coisa com uma roupagem diferente.

Confundem a falta de significados (dos preguiçosos) com zona de conforto e chegamos ao cerne da questão comportamental. Esperamos que você se interesse em pesquisar mais, mas avisamos, vai dar trabalho. Se você quiser continuar na sua zona de conforto da preguiça, não precisa pesquisar nada.
Vemos, no Treinamento para Líderes, que há inúmeras forças que fazem com que o ser humano entre em ação, podem ser elas : medo, prazer, desconfortos físicos, desconfortos emocionais, ansiedade, desejo e por ai vai com todas as complexidades humanas. Mas há uma delas, das mais sutís e notáveis, que são os significados.

O significado é a força que leva o indivíduo mais longe do que qualquer outra que possa imaginar, não existem manipulações ou competidores para um indivíduo que tem significados sólidos permeando suas ações. Um indivíduo cheio de significados não necessita de “desafios” intencionalmente pensados para que se movimente. Seu significado é maior do que qualquer desafio que alguém possa manipular. Aceitando ou não, assim é a vida.

O significado, para qualquer indivíduo, é uma das mais poderosas das forças que o move. Tão poderosa que não poderia ser mesmo facilmente manipulável, pois exige responsabilidade e, sobretudo amor, de quem procura dar significado ao outro em fazer o que faz ou o que precisa que seja feito. Ajudar na construção dos significados é ajudar o outro na procura por uma forma para nortear sua própria existência, decisões, comprometimento, escolhas, ações etc…
Não é coisa para rookies ou para “indivíduos com a síndrome da repetição”, definitivamente não.
Quer aceitemos ou não, é coisa para Líderes.
Na falta de liderança ou seja, na falta de significados, a única alternativa é gerar o desconforto nos liderados.

Bingo!!!!!

Esta construção é complexa, e somente pessoas que sabem ascultar o que está atrás dos comportamentos e das reais motivações dos liderados ou seja, tem preparo e estofo para liderarem, é quem conseguem fazer as pessoas performarem sempre melhor e com mais compromisso, uma vêz que conseguem a construção mútua de significados.
Para os demais, que não tem esta condição, resta provocar o desconforto alheio em nome dos resultados e continuar no mais do mesmo. Se você não consegue construir significados com seus liderados, a saída é incomodá-los mesmo. Que relacionamento pobre!!! Nestes relacionamentos a excelência, o compromisso, a motivação, a criatividade, a superação, enfim tudo o que temos de melhor vai por água abaixo e não passam de desejos não realizados.

Líderes, ainda são uma raridade.

 

Fonte da Matéria : TrainerBr

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