Sofismas – Curso de Liderança

Mentiras com Cara de Verdade – Curso de Liderança.

A culpa é dos políticos!!! Já ouviu isto em algum lugar?

Há uma percepção comum de que colaboradores desistem dos seus chefes e de seus líderes e que a maioria das organizações com turn-over elevados tem problemas de liderança. Afirmações como esta são muito comuns e, se participou de um Curso de liderança, seguramente já a ouviu. Mais um sofisma corporativo que uma análise um pouco mais aprofundada faz ruir rapidamente.
Claro que pode acontecer de um colaborador sair da organização por problemas de relacionamento com suas lideranças e acontece mesmo, mas afirmar que este é um dos principais fatores que levam pessoas à se desligarem das organizações é assumir um padrão comportamental humano negativo, o que é um enorme contra-senso.

Afirmações como esta são amparadas por dados como o Leadership Quarterly publicado pela Universidade do Estado da Flórida em 2010, que justifica o raciocínio. De acordo com o trabalho :

  • 39% dos trabalhadores disseram que o seu supervisor não consegue cumprir as promessas.
  • 27% afirmaram que o seu supervisor fez comentários negativos sobre eles para os outros funcionários ou gerentes.
  • 24% indicaram que o seu chefe invadiu sua privacidade.
  • 23% disseram que seu supervisor culpava os outros para encobrir erros pessoais ou minimizar a situação.

 

Mas diz um sábio que uma mentira muito bem contatada fica com cara de verdade. Vamos entender melhor.

Partir do princípio acima é afirmar que pessoas tomam ou não decisões baseadas em posicionamentos negativos das lideranças e ainda por cima imputar culpabilidade exclusivamente aos líderes. Um posicionamento muito primário e precipitado de quem não conhece muito da natureza humana. De fato a responsabilidade é mútua.

Aqui entramos num tema de toque muito nevrálgico e que as Empresas de Treinamento e Desenvolvimento fogem por falta de estofo cultural para transitar por este terreno.

Uma Análise do Curso de Liderança Avançado.

  • Seguramente os trabalhadores acima que afirmaram que seus supervisores não conseguiram cumprir promessas também, em algum momento de sua vida, não conseguiram cumprir promessas.
  • Seguramente os trabalhadores acima que afirmaram que seus supervisores fizeram comentários negativos sobre alguém também, em algum momento de sua vida, fizeram comentários negativos sobre outras pessoas.
  • Seguramente os trabalhadores acima que afirmaram que seus supervisores invadiram suas privacidades também, em algum momento de sua vida, invadiram a privacidade de alguém.
  • Seguramente os trabalhadores acima que afirmaram que seus supervisores culpavam outros para encobrir os próprios erros também, em algum momento de sua vida, culparam alguém pelos próprios erros.

Resumindo a situação são os rotos reclamando dos rasgados.

 

Neste cenário surge algum guru e tece sua teoria amparada por dados estatísticos que levam à conclusão que Líderes são os maiores culpados pelo elevado turno-over nas organizações. Bingo!!!

Mais um sofisma para se vender, pois não faltarão compradores para ele. Se pesquisar bem verá que esta é uma das afirmações pétreas de muitas organizações que administram o Curso de Gestão de Pessoas.

Quem vende o sofisma não o analisou e refletiu profundamente sobre o tema, mas tudo bem quem comprará também não reflete muito e nem analisa em profundidade e ficam elas por elas. Um compra, outro fatura e a economia vai adiante. Num mundo aonde o que importa são os resultados, nada mais assertivo.

Mas os fatos são bem outros.

A profundidade dos Fatos.

Não estamos aqui afirmando categoricamente que isto nunca acontece, mas o que se dá de importância ao tema e as consequências afirmativas e imputadoras de culpabilidade à que isto pode levar escondem algo mais profundo, sempre esconde. E por ser profundo nem todo mundo alcança. Vamos entender melhor transitando por alguns contrapontos :

Primeiro Contraponto. Se alguém reprova o outro por aquilo que mesmo faz, ou já fêz, aí há o fenômeno do neurônio espelho trabalhando à todo vapor, só que agora no espectro comportamental negativo. Se em algum momento o inconsciente reprovou uma ação pessoal significa que a reprovação no outro já está com meio caminho andado, só falta a oportunidade ou seja, a replicação do mesmo comportamento e o resto é por conta dos neurônios espelho. Quando o outro falha, mesmo que seja o líder, a reprovação já está no gatilho e seu disparo é quase instantâneo. Não se precisa pensar muito para a reprovação do outro. Fenômeno humano naturalíssimo. A maioria das pessoas simplesmente não sabem disto.

Segundo Contraponto. Líderes falham tanto quanto qualquer outro ser humano. Mas aí aparece um guru e em sua autoridade de guru delibera : É mas o líder não pode cometer esta falha ou aquela falha. Não tem a mínima idéia de quais gatilhos pode estar acionando, mas tudo bem como quem o ouve também não tem a mínima idéia do que está ouvindo, mais uma vêz ficam elas por elas e o guru fatura. Acontece que nas proposições deste tipo, os gurus retiram o líder do espectro do que é humano e o colocam sob um outro espectro condicionante que ninguém sabe o que é, o guru não conseguirá explicar como e, por sua vêz, o líder não conseguirá cumprir. É mais fácil isto do que ensinar ética.
Ora se é comum ao ser humano cometer estes erros e o se líder está, condicionalmente fora deste espectro do que é humano, então está em alguma outra condição que não é humana, pois humanos cometem estes erros inevitavelmente, é intrínseco ao que é humano. Correções destes comportamentos mútuos só é possível com a ética.

 

Terceiro Contraponto. O Guru não fala sobre ética. Interessante não acham? Simplesmente defende o proposto lá encima, no começo desta matéria, e colocam a coitada da vítima de um lado e o vilão do outro, respectivamente colaboradores e líderes. Existe algo mais primário?

O que de fato desenha-se nas organizações e que justificam o turn-over são influências diferentes, mas três delas merecem destaque por demolirem aos alicerces afirmações como as defendidas pelos gurus, apesar de não abrangerem a totalidade da compreensão do fenômeno do turn-over. Estas três que merecem este destaque são :

  • Pessoas com a incapacidade de construírem relacionamentos éticos com outrem, neste caso quem está na posição de liderança, irão mesmo descumprir promessas, assediar, impultar culpas e fugir de suas responsabilidades. À não ser que estejam sujeitas à fortes punições, afinal aonde não há ética nada melhor do que a punição ou a lei.
  • Pessoas com a incapacidade de construírem relacionamentos éticos com outrem, neste caso os colaboradores, irão mesmo apontar o dedo para alguém na expectativa de que o ambiente passe à exigir o posicionamento ético do outro, uma vêz que ele próprio não teve estofo ético para fazê-lo. Esta é dolorida mesmo, mas é fato. Quem não sabe o que ética, como irá exigir o comportamento ético no outro, se não sabe o que está exigindo? Neste caso nada melhor do que a punição, só que para punir a primeira condição é o culpado e o culpado é sempre o outro.
  • Pessoas vão e vem das organizações o tempo todo. É assim que a vida funciona mesmo. Pessoas sempre procuram por inovações, novos ambientes, novos relacionamentos, novos salários, novas oportunidades, enfim pessoas são atraídas pelo novo quando tem uma percepção positiva dele. É natural, se assim não fosse líderes seriam os que nunca sairiam das organizações e morreriam todos velhos nelas. Está vendo como até os líderes são humanos?

É claro que as organizações não querem perder talentos e fazem de tudo para mantê-los em seus quadros, mas o resumo da ópera é que talentos vem e vão das organizações também e o tempo todo. Contra as leis da vida, qualquer batalha é perdida.

Por esta razão é que a melhor saída para qualquer organização é manter um programa de formação de lideranças robusto e continuado. Fazer do Curso de Liderança uma constante e procurar o tempo todo em seus quadros pessoas que preencham o perfil da liderança e nutram apego ao que é ético. O futuro das organizações é tornarem-se escolas de líderes.

No Treinamento Empresarial como acontece uma abordagem tão complexa como a acima?

Em ocasiões específicas aonde o time já passou por uma série de treinamentos e reflexões. Já caminhou por conceitos e fundamentos do comportamento humano, já assistiu uma Palestra sobre Ética e ainda sinaliza com abertura para debates.
Não começa-se um treinamento empresarial com este nível em suas abordagens, é colocar a carroça na frente dos bois, começar pelo fim.
Aqui estamos tratando de um tema que somente é exaurido no curso de liderança em seus módulos avançados e ainda de forma reduzida, sintética. O que acontece no Curso de Liderança é toda uma construção cultural que induz o trainee à estas conclusões espontaneamente, por indução e não por afirmação como fazem os gurus.

O desenvolvimento das lideranças que irão liderar de fato demanda tempo, experimentações, indução à reflexões, ética e maturidade, sempre.

 


Fonte da Matéria : TrainerBr

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