Ética e Desafios – Os Valores da Organização


Valores Corporativos – Ainda um Esforço

Existem perguntas que não podemos responder, mas podemos, pelo menos ajudar na reflexão. Apesar de não termos a resposta o ajudaremos à refletir. Esta é uma destas perguntas, veio após a Palestra sobre Ética de 22/06/17 :

Entendo que ética é o esforço que realizamos, ao pensarmos, para descobrir a melhor forma de convívio. Vejo que nas organizações a carta de valores éticos vem de cima para baixo como algo à ser seguido por todos e, geralmente não foi o resultado do esforço de cada colaborador em contribuição para que esta carta fosse concebida e o melhor convívio, na organização, fosse uma deliberação de todos. A Pergunta é : Os valores que estão nesta carta são realmente de toda a organização ou de quem a concebeu, seja o RH e ou Corpo de Diretores?

Um tema delicado. Vamos refletir juntos.

A definição que extraiu da Palestra sobre Ética está, sinteticamente, correta.
A observação do que acontece com as cartas de valores éticos da organização, também está correta, na maioria das organizações acontece assim mesmo.
A questão é de quem são os valores que estão na carta de valores da organização?

Dentro do cenário proposto, na verdade nunca se sabe de quem são estes valores. Muitas vezes não são nem de quem à concebeu, pois pode ter sido escrita para atender uma demanda normativa, para aquisição de algum certificado, uma questão de marketing ou outra razão qualquer. Resumindo uma ação política e não ética, de fato.
O que é oportuno que percebamos, é a diferença entre a realidade que gostaríamos de viver na organização e a realidade que, de fato, a organização vive.

Vamos partir do princípio de que a organização elaborou sua carta de valores, não por uma jogada estratégica, mas sim por uma ação honesta e legítima da alta gestão que, percebeu que nutrir estes valores, seria importante para todos os colaboradores e, consequentemente para a organização. Esta ação aconteceu dentro do formato que nos propôs acima, ou seja, veio de cima para baixo, não como um concerto entre mentes, mas a elaboração de um grupo específico da organização.

 

Neste caso, a carta de valores éticos é uma aspiração, ou seja, algo à ser atingido pela organização em seu estágio de desenvolvimento e não reflexo da realidade que ela vive naquele momento.
E esta aspiração, só pode ser de quem concebeu esta carta. Neste caso não passa de aspiração, desejo ou objetivo à ser atingido. O que consolidará esta carta são as ações subsequentes ao que a carta divulga, ou seja, estes valores serão consolidados pelas ações corporativas que apontam para o que foi disseminado pela carta de valores éticos. Se não houverem ações objetivas para o que ali foi elaborado, esta ação não passará de aspiração e continuará aspiração até que ações objetivas tornem estas aspirações em algo um pouco mais palpável ou percebido por todos, ou pela maioria.

Mesmo que estas ações aconteçam , não significa que são os valores da organização ou seja, da reunião de pessoas que ali estão convivendo, mas sim os valores que a gestão, ou de quem concebeu a carta, fomentam no dia à dia da organização e percebidas, traduzidas, refletidas nestas ações. Pode ser um documento legítimo e honesto, mas sempre estará fatalmente ligado aos seus autores. Resumindo pode ser um esforço legítimo e honesto mas tem autoria e não foram todos da organização que participaram de sua autoria, logo estes valores não podem ser imputados à quem não participou desta elaboração. Cabe à quem não participou desta elaboração à aceitarem estes valores, ou procurarem ligarem-se outra organização, aonde tenham mais sintonia de valores.

É a única abordagem que evita o contra-senso, que muitos gestores cometem em afirmar que a organização são todas as pessoas que à compõe, mas no momento de elaborar suas cartas de valores, excluem parte da organização nesta elaboração, logo não refletem os valores de todos ou de toda a organização. Como resolver este contra-senso? Muitos gestores repetem este mote, sem saber da extensão do que estão repetindo.

Lembrando um pouco da Palestra sobre Ética, deve se lembrar que um dos grandes desafios que observamos na gestão contemporânea é a legitimidade e voltando à análise que estamos realizando, uma carta de valores que vem de cima para baixo, pode ser legitima. Não há nenhum problema em acontecer desta forma, desde que nesta carta esteja claro que os valores que ali são elaborados, são os valores que a organização procura nutrir em suas atividades, em função da percepção que a alta gestão (ou quem elaborou esta carta) tem dos valores corporativos que serão importantes para todos.
Se a carta for honesta à este ponto, caberá à gestão dar a legitimidade ao que a carta propõe com ações claras e objetivas, senão corre o risco de transformar esta carta de valores numa jogada política sem sentido e desprezada pelos colaboradores.
É um tema delicado e complexo mesmo, resumindo sua observação é correta, mas não invalida o esforço organizacional para nutrir em seu dia à dia os valores éticos aceitáveis pelo ambiente no qual a organização está inserida. É a cara que a organização dá para bater, é uma atitude (em tese) corajosa da organização e da gestão.
As falhas que percebemos, na maioria dos casos não é a elaboração deste documento, mas sim o que se faz logo após a sua elaboração, muitas vezes a própria gestão que a elaborou é a responsável pela sua invalidação. É um esforço delicado, coberto de sutilezas e que muitas vezes a própria gestão que procura levar à cabo esta ação, não está preparada para torná-la realidade.

Desenvolver-se é assim mesmo, cheio de erros e acertos.

Veja o tamanho do desafio do Treinamento Empresarial ao abordar estas questões. Por esta razão, as Empresas de Treinamento e Desenvolvimento de Líderança menos preparadas fogem desta questão como o diabo foge da cruz, por inabilitação em tratar de um tema tão delicado.
As organizações procuram se desenvolver o tempo todo e acabam por pressionar às Empresas de Treinamento à ser desenvolverem, também, o tempo todo. Há alguns anos atrás a Palestra Empresarial sobre Ética quase que não existia nos portfólios das empresas de treinamento, hoje é quase uma exigência fundamental para um portfólio atualizado. O Treinamento para Líderes que não aborda a questão ética já está sendo riscado do mapa de opções, nas organizações.
Para finalizar, entenda que tanto as organizações quanto as Empresas de Treinamento Empresarial estão realizando um esforço neste rumo. Já percebemos que a ética, os valores éticos devem constar como fundamento de nossas ações e estamos gestando fórmulas e métodos para que isto aconteça. Algumas acertarão mais do que outras, mas o importante é que esta percepção está nas mentes.

Pode não ser o ideal, mas já é um bom começo.

 


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