Uma Certa Dose de Competição é Boa para o Time?


Curso de Liderança – Competição e Gestão de Pessoas.

Recebemos esta pergunta em 13/10/17:

Na Palestra de Liderança passamos por um momento aonde foi proposto que uma determinada, e controlada, competição interna em um time poderia não ser a melhor forma de desenvolvê-lo e que esta afirmação teria tudo para não passar de mais um mito corporativo obsoleto, ultrapassado.
A proposição de vocês me chamou a atenção, a maioria dos gestores que conheço são favoráveis a que se exerça uma certa dose de competição, ou pressão, sobre seus times. Não tenho simpatia por esta postura de gestão de pessoas e equipes.
Por outro lado não consigo elaborar sobre esta minha antipatia, não consigo definir bem o que é, apesar de ser natural. Gostaria que elaborassem melhor sobre esta reflexão proposta na palestra de liderança.


Obrigado pelo envio de um tema tão importante e cheio de sutilezas.
Mostra que nossa Palestra de Liderança atingiu o objetivo e lhe despertou reflexões.

A resposta será na forma de uma longa reflexão sobre o tema e não nos pouparemos de escrever para você que mostrou interesse sobre esta nuance tão sofisticada e delicada da gestão de pessoas.
Vamos partir do princípio que o Treinamento Empresarial contemporâneo passa por um sério cheque dos novos modelos culturais que, aos poucos, as novas gerações vão desenhando. Você vai entender as razões. As empresas de treinamento que se dedicam à formação de profissionais da gestão de pessoas e equipes se não abrirem os olhos para o fato de um ambiente cultural questionador demandar por novas respostas, mais inteligentes e aderentes ao seu próprio tempo, no lugar das mesmas respostas que já existem e foram forjadas no passado, certamente, levarão um cheque-mate. Esta questão é uma delas.

Vamos lhe oferecer a discussão mais aprofundada que pudemos realizar sobre este tema e que passamos a ensinar somente no Curso de Liderança em seus módulos avançados.

 

Entendendo a Competição – Curso de Liderança.

A competição tem de ser compreendida sob a mais pura e isenta percepção que possamos ter dela. Vamos então começar nossas reflexões.
Se olhar para o mundo natural, à sua volta, verá que a competição tem sido uma das companheiras de todas as espécies ao longo da história até aonde conseguimos enxergar.
Verá facilmente espécies competindo com outras espécies o tempo todo e também encontrará a competição interna como um evento que delimita objetivos específicos dentro de cada espécie.
Qual tem sido o resultado da competição no mundo natural e à que objetivos serve o tempo todo?
Primeiramente, observamos que o objetivo da competição é a anulação, a redução do outro ou mesmo a sua destruição por qualquer motivo, reprodução, ganho de espaço, disputa por alimento, preservação da espécie e por aí vai.
Assim tem sido no mundo natural.
Sob o ponto de vista da territorialidade, procura-se anular o domínio que o outro tem do espaço físico em nome do aumento do domínio para quem ganha a competição, mesmo que para isto o resultado da competição seja a destruição do outro.
Para quem ganha a competição o benefício será a exploração dos recursos que esta adição de espaço físico proporcionará. Este evento gera desgastes à ambos os lados.

Os Desgastes.

O desgaste para o lado perdedor poderá ser tão elevado, tão grave, que comprometerá sua própria existência. Já a parte ganhadora também sofre um determinado desgaste que poderá ser grave ou não grave, mas um inevitável desgaste proporcionado pelo embate com a outra parte.
No momento em que ganha a competição, terá a oportunidade de iniciar um processo de recuperação.
Significa que ambos os lados perderam no curto prazo, pois sofreram desgastes. Um dos lados poderá se recuperar e passar à usufruir de um maior domínio territorial, um ganho até o próximo evento aonde poderá ser compelido novamente a outra competição e com outros contendores que fatalmente surgirão. Isto irá jogar tudo, novamente, numa roleta de competições intermináveis.
Este novo evento está no futuro, no imponderável e poderá acontecer em 10 minutos ou em 10 anos, nunca se sabe.

Resumindo, o primeiro resultado da competição sempre é o desgaste de quem compete, é inevitável. Desgaste dos que ganham e dos que perdem.
O resultado de longo prazo também não está garantido pois está no imponderável, no futuro que ainda não existe e poderá acontecer em 10 minutos. Não será um resultado garantido, que seja de longo prazo ou livre de novas ameaças por lei natural da vida.
Se por uma contingência qualquer este novo evento de competição acontecer no momento em que o contendor, de uma competição ganha anteriormente, ainda não se recuperou de seus desgastes e está sendo ameaçado, as suas chances de perder uma nova contenda serão muito maiores e provavelmente perderá. Se não perder sofrerá um aumento do seu desgaste anterior, seu prêmio poderá não ser o ganho de uma adição ao seu território, mas um desgaste maior ainda estará garantido.

Chegando ao clímax de nossa primeira reflexão, a competição só garante resultados negativos. Estes são garantidos e inevitáveis para ambos os lados que competem. Os resultados positivos que pode gerar, somente para quem ganha a competição, ainda não tem garantia de estabilidade, é uma das leis da vida.
Nos animais tem acontecido por força dos automatismos da vida e inconscientemente. No homem, que não é mais um neanderthal, acontece por sua deliberação, sua escolha. Para os neandertais deveria acontecer também por automatismos ou algo muito próximo deles.

São Leis intrínsecas da vida e aqueles que não concordarem com elas podem reclamar com o autor destas leis. Apenas uma ironia que nos protege de nossos críticos apaixonados e que não racionalizaram muito sobre como funciona a vida. Como, supostamente, escrevemos para pessoas maduras não nos isentamos de escolhas morais que nos levem à uma certa ironia e que deverão ser bem compreendidas por quem nos lê.
Fechamos o primeiro ponto : Competição = Desgastes com garantia de resultados zero e luta por sobrevivência.

Mas não é só isto, nosso exame foi balizado considerando uma inserção da inteligência nas formas de viver = 0.
Nos prendemos exclusivamente à observação dos automatismos da vida. Agora iremos inserir o homem e sua inteligência neste cenário e perceber o que mudou.

Inserindo o Homem e o Intelecto.

Muito bem, o homem entra no cenário com o seu intelecto e suas deliberações, primitivas ou não. O homem é, naturalmente um ser empático, significa que vê outros homens como semelhantes e, não raro, espelha-se no semelhante para entender à si mesmo.
Num processo que demandou eras o homem adquiriu um comportamento diferente que pode ser compreendido como abaixo descrito.
O homem, em toda a sua fragilidade física, diante dos ambientes hostis se agrupou e percebeu que o agrupamento aumentava suas chances de sobrevivência, a defesa natural por estar em bando fez sentido. Aprendeu também à fabricar utensílios, rudimentares, para que tornasse sua precariedade em algo menos precário, mais eficaz.
Também percebeu que agindo organizadamente e com determinadas estratégias poderia subjugar outras espécies e até eliminá-las do seu ambiente próximo, consequentemente eliminando ameaças e trazendo mais segurança e chances de sobrevivência para o bando.

Bingo!!!!

A força de sua superioridade foi a inteligência e a necessidade de agrupamento para uma maior segurança contra ameaças externas.
Não foi a competição interna, no próprio bando quem determinou seus diferenciais, ao contrário foi sua colaboratividade e adição de inteligência à serviço do bando.
Acontece que quando um bando encontrava outro bando a coisa complicava um pouco. Quando os dois bandos, ou pelo menos um deles, não tinham a capacidade de encontrar uma solução mais inteligente para o convívio e formarem um bando maior e mais forte, iam pro pau mesmo.
A luta pela supremacia então acontecia em todo seu esplendor, um bando querendo dominar, subjugar o outro em nome de seu domínio e autonomia. Ética neste momento? Blahhh. Não sabíamos nem falar direito, quem dirá elaborar um conceito tão notável como ética? A ética veio somente muito mais tarde com os gregos. O que funcionava nesta época era a supremacia dos bandos às custas das vísceras dos oponentes, ou das próprias vísceras mesmo.

O que fazia a força dos bandos era sua capacidade de agrupamento e inteligência para inovarem seus instrumentos primitivos de caça e defesa. Mais uma vêz vemos que a força de um grupo está na capacidade de colaboração mútua e inovação, mesmo lá na pré-história era assim que funcionava.
Quando bandos rivais se encontravam, o resultado era o desgaste, a luta. Quem ficasse de pé e aguentasse o seu próprio desgaste e tivesse a sorte de não encontrar outro bando até que os desgastes fossem recuperados seguiria em frente. Competição = desgaste = luta por sobreviver. É fundamento, é lei da vida e não adianta colocar maquiagem nela. Seu propósito é este mesmo.

E assim a vida foi em frente, bandos superando outros bandos e clãs surgindo, grandes clãs, povos e até impérios. Sempre seguindo o mesmo padrão comportamental. Arrancamos as vísceras de quem competirá conosco, para que eles não arranquem as nossas primeiro.

Sempre as forças de cada bando calcadas na sua capacidade de agrupamento, organização e inovação, resumindo a inserção da inteligência as formas como o agrupamento funciona.
Haviam competições internas, entre indivíduos, por domínio? Sim, claro que haviam, mas os bandos suportavam estes desgastes. Quando não os suportavam se extinguiam ou se enfraqueciam e acabavam dominados, ou extintos por outros bandos. Novamente mostrando que competição é desgaste, se o bando aguenta o desgaste ou não, é outra história, mas fundamentalmente, competição é desgaste.

Como as outras espécies não tem a mesma capacidade de agrupamento, organização e inovação fomos nós que as subjugamos. Todas sem excessão, algumas até fizemos sumirem do mapa, e não foram poucas, para nunca mais andarem sobre o planeta. Nós com nossa capacidade de colaboração mútua, organização social e inovação conseguimos suportar todos os nossos desgastes internos, causados por competições internas que só trazem desgaste, e ainda sermos supremos no mundo. Ô espéciezinha danada.

Assim somos nós, os notáveis seres supremos do planeta. E ainda conseguimos continuar competindo uns com os outros suportando os mesmos desgastes internos que suportamos, numa escala diferente, no passado. Cada agrupamento, país, empresa, famílias, profissionais etc. não está tentando uma melhor forma de organização colaborativa para competir e anular outros que os ameaçam? Nos casos mais graves uma boa guerra, ou uma boa arrancada das vísceras dos oponentes, não resolve o problema?

É!!!! Parece que estamos fazendo o que sempre fizemos mesmo, só que com uma roupagem diferente. Como nos reproduzimos como coelhos e, agora, temos a tecnologia, nossa espécie aguenta este desgaste todo, mas até quando? Não sabemos, ainda bem.

Uma certa dose de competição.

Quem não entende o processo acima, ou só entende a metade, acaba achando que a competição foi uma coisa boa. Procura dar valor à competição, olha que coisa bonitinha.
Competição não é boa, nem ruim. É mecanismo natural e mecanismo natural não é bom nem ruim. Não existe avaliação passível de se fazer frente aos mecanismos naturais à não ser a sua compreensão. Atribuir valor à mecanismos naturais é coisa para desinformados.
É até razoável procurarmos perceber se um determinado mecanismo natural é ou não conveniente à um determinado momento que vivemos como espécie, como grupo. Mas atribuirmos um valor como bom ou ruim é realmente coisa para desinformados, ou manipuladores de opinião, mas aí a história é outra e não entraremos nesta questão.

Muito bem, uma coisa muito comum é vermos executivos, gestores e até treinadores, aqueles que lêem meia dúzia de livros e acham que podem dar um Curso de Gestão de Pessoas e equipes moderno, inteligente e amparado por observações pseudo-científicas, afirmarem que uma certa competição interna na equipe, competição controlada claro, é muito boa estratégia e traduz-se em soluções interessantes para a organização.

Mito, desinformação ou falta de inteligência/reflexão mesmo. Não tem outra explicação.

Por quê Mito?

Por que o mundo corporativo está cheio deles. Não percebem que a competição não passa de luta por sobreviver.

Porquê as organizações investem em competitividade? Porque querem sobreviver, óbvio. As que não conseguem competir são extintas, morrem, são destruídas pela competição. O resultado previsto da competição, seu intento continua sendo a redução, a anulação do outro ou até a morte do concorrente, luta na tentativa de anular o outro continuadamente.

Porquê as organizações investem tanto nos seus diferenciais competitivos?
Há duas razões para isto que queremos evidenciar :

  • Querem competir melhor para sobreviverem, serem mais eficazes na competição, na anulação da concorrência e na luta.
  • Não querem competir. Porquê competir é desgaste. Nada mais eficaz para não competir do que ter um diferencial que nenhum outro tem. Não competindo, não há desgaste. Estamos no topo, aonde ninguém nos alcança. Ainda bem que isto não é possível, mas tem muita gente tentando e a vida organizacional acabará sempre numa luta, irrefreável, para estar no topo por possuírem o que ninguém possui.
    A supremacia, o domínio pela inacessibilidade dos demais. Mas a vida nunca deixa isto acontecer e, quando acontece, sempre é temporariamente, tem data de validade. A flecha do tempo assim determina.

Competição sempre acaba em mais do mesmo, não se iluda à respeito porquê leu um livro de auto-ajuda ou de algum guru corporativo.

Porque desinformação?

Porquê não percebem que o que torna os grupos fortes é exatamente o inverso da competição interna. É a sua capacidade colaborativa e de criação coletiva, de inovação. Não foram informados e nem estudaram isto em profundidade. Assim que são informados, soltam as pérolas de sempre.

Ahhh!!!! Mas isto é difícil de se conseguir num time.

Claro que é difícil, se não quiser se desenvolver ao ponto de fazer seu time colaborar pra valer, com criatividade e inovando, o que lhe restará será o fácil mesmo. O que os demais, ou os sem diferenciais, fazem com os pés nas costas.
É o que qualquer gestor mediano, ou medíocre mesmo, faz. Promover a competição, o desgaste interno como meio de se conseguir algum resultado amparado pela luta, ao invés da colaboração. A colaboração inteligente e produtiva não é para qualquer um mesmo e, muito menos, para qualquer time.

É goooooollll da Alemanha.

Porque falta de inteligência?

Por que acabou a inteligência para se inserir algo mais inteligente do que já foi inserido na gestão de pessoas e equipes.
Ao considerarmos a inserção de inteligência nas formas como fazemos a gestão de pessoas maior do que zero, seguramente, faremos uma gestão de pessoas melhor do que as formas que as leis intrínsecas da vida nos ensinaram lá no passado distante, no passado dos neandertais.
Se considerarmos o contrário, neste caso por falta de inteligência, o melhor a se fazer é copiar o que a maioria faz mesmo, afinal não conseguimos realizar nada mais inteligente do que já foi realizado de conhecimento na gestão de pessoas e equipes.
Uma fatalidade que incomoda muitos gestores e líderes.
Colaborar sempre foi melhor e produziu muito mais do que competir, somente gente com capacidade intelectiva muito primitiva não percebe isto, infelizmente, ainda são maioria.

Existem outros pontos importantes à serem considerados.

 

Curso de Liderança – Mitos Imprecisos.

Esta certa dose de competição, ou pressão, ninguém consegue definir o que é.
Não existe um dosador de competição, ou pressão á não ser a arterial, e nem um controle previsto que seja claro à todos, pelo menos até o momento.
Esta coisa de pressão/competição controlada é papo mole de quem não racionaliza o que defende e, como consequência, a única coisa que consegue realizar é a repetição do que outros afirmaram como positivo e tiveram alguma articulação para expor suas idéias, mesmo que disfuncionais.

O resultado é que os mal informados vendem suas fórmulas para os não informados.

Olha que beleza!!!!! Os não informados agora passam por um up-grade e tornam-se em mal informados.

Então o conceito fica no mundo da subjetividade. Esta certa dose pode ser uma coisa para um indivíduo, já para outro pode ser um exagero e para um terceiro pode ser insuficiente.
Tudo tão subjetivo que não há como se pensar, seriamente, numa ação de gestão de pessoas tendo esta afirmativa como baliza. Nos piores casos fica por conta das percepções individuais dos gestores e verá, facilmente, que cada um tem uma. Tudo fica na mesma, nas subjetividades.

Aí vem o guru da gestão de pessoas, geralmente um americano, e solta uma pérola do tipo: Ahhh mas cada gestor tem de perceber qual é a dose de competição, ou pressão, que seu time aceita.

A organização paga uma baita grana ao guru para ouvir isto. É não é brincadeira não meus amigos!!! E a organização continua na mesma, com os mesmos problemas, mesmas pessoas e com a mesma falta de inteligência e reflexões sérias.

No mundo corporativo há uma série, enorme, de mitos imprecisos. Não são poucos, pior, muitos foram disseminados e defendidos por Empresas de Treinamento e Desenvolvimento ou pelos gurus da gestão de pessoas.
O pensamento contemporâneo em torno da gestão de pessoas está impregnado de mitos, informações imprecisas, falta de informação mesmo e crenças pouco refletidas numa análise mais aprofundada.
Mas o mundo sempre foi assim, quem pensa mesmo é minoria.
A maioria, por não pensarem profundamente, partem para as soluções mais fáceis mesmo, as consagradas e defendidas como verdades tácitas.
Pensar, refletir e assumir riscos, ao se desligar dos mitos numa mudança cultural deste espectro todo, não é coisa para a maioria, é coisa somente para os líderes. Por esta razão é que estão em falta e continuam uma raridade. Na falta de mais inteligência o óbvio é a melhor alternativa, e o óbvio não é coisa para líderes, é para a maioria mediana ou medíocre.

Há quem se defenda.

Há os que defendem esta tese com argumentos do tipo :

  • Nos desenvolvemos mais na época das guerras e dos conflitos.
  • Nosso salto econômico foi motivado pela revolução industrial e a competição que o liberalismo trouxe ao mundo.
  • Nosso maior avanço tecnológico foi motivado pela guerra fria.

Afirmações como estas são de indivíduos que não tem a mínima visão ou compreensão do que estão defendendo.

Nosso maior desenvolvimento aconteceu quando times se reuniram e decidiram, num processo altamente colaborativo e criativo, produzirem tecnologia e conhecimento e não porquê decidimos ir pra carnificina ou por que a revolução industrial trouxe o liberalismo e depois o neo-liberalismo. Podemos concordar que o liberalismo econômico e a revolução industrial facilitaram as coisas e pavimentaram muitos caminhos, mas se pessoas não se juntam em colaboração mútua não há revolução industrial ou ideia liberal que façam as coisas por si só, e nada acontece. Esta premissa é inatacável.

Pode até ser que a reunião destas pessoas tenha acontecido motivadas por um conflito, mas o que isto indica? Indica que não foram inteligentes o suficiente para produzirem esta reunião produtiva espontaneamente, por deliberação e vontade de se desenvolver o que lhes dá o diploma de primitivos, de neandertais. Afinal o que motivou os homens das cavernas a se desenvolverem foi a mesma competição, ou seja a ameaça. Antes de soltarem uma pérola destas, deveriam refletir um pouco mais se não há um caminho mais inteligente do que serem motivados à agirem exclusivamente como os neandertais.

Não escrevemos para estas pessoas. Escrevemos para aquelas que tem alguma capacidade de racionalização para procurar algo mais inteligente do que se desenvolver às custas de conflitos, de desequilíbrios e das vísceras do seu semelhante, defendendo argumentos desta natureza e nos aproximando de um bando de primitivos que só souberam se desenvolver assim. Para os indivíduos que acham que podemos ser melhores do que já fomos.
Os que não acham possível, não irão liderar, continuarão competindo, como os neandertais que, alías perderam a competição para o homo sapiens. A competição não resolveu o problema de sobrevivência dos neandertais.

Se os que crêem que a competição interna é boa ainda não se convenceram do que escrevemos, olhem para um time de futebol. Os times mais bem sucedidos são os que, internamente, tem um nível de colaboração e criatividade alto ou aqueles em que seus jogadores estão competindo, sendo individualistas entre si. Ai está a sua resposta.

É goooooollll da Alemanha.

Colaborando entre si serão mais competitivos e melhores diante de outros times. Internamente não conseguirão a excelência promovendo competição entre seus próprios membros. Perceberam a sutileza do tema?

Aspectos Culturais.

Deve-se considerar também o nosso ambiente cultural e de negócios.
O Brasil nunca foi um primor e uma referência no desenvolvimento das tecnologias comportamentais, conceitos de gestão de pessoas e de negócios. Temos sim algumas boas escolas de negócios, mas deve ter percebido que quase tudo no quesito gestão de negócios e de pessoas que é disseminado pelo treinamento empresarial tupiniquim é importado da América e Europa. Se fosse somente e fielmente importado, menos mal.

Acontece que muitas coisas são adaptadas ou mal estudadas e acabamos por distorcer diversos conceitos avançados para que caibam nas mentes de pessoas que saem do segundo grau, grande parte, analfabetos funcionais. Quando não são estes analfabetos funcionais os que tem uma empresa de treinamento.
Existem muitos profissionais por ai com empresas de treinamento e desenvolvimento que copiaram seus portfólios de outros que, por sua vêz também foram cópias de conhecimento vindo de fora. O resultado é que, de distorção em distorção em suas interpretações, acabam defendendo mitos corporativos e levam este pseudo-conhecimento para dentro das organizações que, por sua vêz não tem tantas pessoas com capacidade para filtrar.
Parece uma crítica, mas não é. É a fria e isenta leitura do ambiente que vivemos.

Portanto a sua aversão natural ao conceito exposto lá encima, no começo desta matéria é um sinal positivo. Está a procura de um conceito mais inteligente de gestão de pessoas e equipes do que a repetição de informações do passado que, lá fora, já estão desatualizadas faz bastante tempo, pelo menos entre os que estudam o tema com alguma seriedade.

Obrigado por ter nos dado esta oportunidade.

 


Fonte da Matéria : TrainerBr

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