Motivação das Novas Gerações – Curso de Liderança

Motivação e Dúvidas – Curso de Liderança.

Uma das delicadezas do Curso de Liderança maduro é assumir que pessoas e culturas mudam, como consequência as formas como a liderança se manifesta também muda. Motivações mudam, hábitos e comportamentos idem, enfim se o ser humano muda, tudo acaba mudando com ele.

Uma das manobras muito comuns que as organizações utilizam para energizar equipes são os eventos de cunho motivacional, mesmo treinamentos elaborados como o Curso de Gestão de Pessoas podem ser coroados, ao seu final, com uma boa palestra motivacional. Mas como tudo muda e os estímulos que serviram no passado podem não servir mais para o presente, esta manobra está sob júdice, pelo menos no meio acadêmico que estuda o tema. Ainda não é questão fechada, mas há alguns indicadores que levam o assunto à baila das discussões.
A Empresa de Palestra Empresarial que dedica-se exclusivamente à esta modalidade de serviço está de olho, pelo menos as mais atentas.

Quais as razões desta discussão? É um tema um pouco complexo, mas vamos aqui reduzí-lo ao entendimento conceitual.

No meio acadêmico há um extenso debate sobre como a geração Y, a dos Millennials, seria completamente diferente da X e ambas também diferentes da geração Z que são os mais novos habitantes do planeta.
Tirando a roupagem dos estereótipos, já é consenso entre acadêmicos que as novas gerações tem algumas características indeléveis e que as definem, algumas muito boas e outras um pouco mais complexas como :

  • Baixa resiliência.
  • Dificuldades com a Hierarquia.
  • Ansiedade.
  • Assessibilidade à frustrações.
  • Mudam muito rapidamente o que delineia uma dificuldade para compromissos.

Muito bem, esta discussão em torno do espectro motivacional acaba por esbarrar nas proposições de muitas Palestras Corporativas e gira em torno da baixa resiliência, ansiedade e a acessibilidade à frustrações das novas gerações. Há uma linha que defende que esta fórmula de motivar pessoas tem um alto risco de gerar em efeito colateral indesejado em função da elevação das expectativas de um indivíduo com estas características.

 

Ora, sabemos que um dos mais eficazes motores da frustração é exatamente a elevação das expectativas (prima da ansiedade) em torno do objeto que é de interesse, seja qual for.
Quando as expectativas são altas e não se confirmam, o resultado é aquele estado indesejado de frustração. Num mundo aonde as mudanças são extremamente velozes, o planejamento e execução de qualquer coisa torna-se uma tarefa mais sofisticada e que, muitas vezes, exigem uma leitura em tempo real de cenários e reorientações de planos e ações, consequentemente de oportunidades.
E a frustração das expectativas que não se confirmaram, porquê cenários, mudaram acaba por atingir as novas e ansiosas gerações. A impermanência é marca de nossos dias e com ela, a frustração sempre à espreita e a amiga da frustração é a depressão.

Mas o que corrobora esta linha lógica?

O que leva este questionamento è mesa são estudos e constatações como :

  • Um em cada cinco trabalhadores, ou seja 20%, da geração Y, ou millennials, diz que já se sentiu deprimido no trabalho. Esse é o maior percentual entre a força de trabalho de todas as faixas etárias pesquisadas pela consultoria Bensinger, DuPont & Associates. O documento “Depressão e trabalho: o impacto da depressão em diferentes gerações de trabalhadores” não explica o motivo de os millennials, nascidos entre 1978 e 1999, serem mais deprimidos do que os Baby Boomers, nascidos entre 1946 e 1964, e a geração X, de pessoas que nasceram de 1965 a 1977. A taxa de depressão desses dois últimos grupos é igual, de 16%.

Fonte : Jornal O Globo

  • Uma pesquisa da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, acessou dados de 176 245 adolescentes de 12 a 17 anos e de 180 459 adultos com 18 a 25 anos — isso no período entre 2005 e 2014. E o resultado foi preocupante: analisando as respostas de questionários ligados ao bem-estar psíquico, a taxa de jovens que reportaram ter sofrido algum episódio de depressão subiu 37%. O pior é que uma a cada seis meninas alegou manifestar o quadro no último ano. Segundo Miguel Boarati, coordenador do Ambulatório de Transtornos Afetivos na Infância e Adolescência do Hospital das Clínicas, em São Paulo, o panorama não é exclusividade dos americanos: “Temos notado uma busca acentuada de adolescentes por tratamentos em saúde mental”, afirma o especialista. “Mas não temos um estudo formal para confirmar isso, como nos Estados Unidos”, atesta.

Fonte : Revista Saúde – Abril Cultural

  • “Quase todos os dias eu me sentia horrível. Quase todos os dias sentia o peso insuportável da vida. Tudo era difícil. Tudo era obstáculo. Até meus passatempos, antes preferidos e divertidos, não mais me trazem qualquer prazer. Sempre ansioso, sempre à beira da explosão. Me odiava e odiava tudo e todos que estavam ao meu redor. Parece que perdi a esperança.”
    Assim se descreveu um adolescente a um médico amigo meu. Em conversas sobre os jovens e suas ansiedades, ele me relatou esse caso como emblemático de um problema frequente, intrigante e muito preocupante: o progressivo aumento do número de adolescentes com diagnóstico de depressão. Muitas vezes graves. Às vezes levando a atos de automutilação e até suicídio. As causas dessa incidência cada vez mais elevada não são claras, mas os números não deixam dúvidas sobre a importância desse problema. Vários estudos realizados por pesquisadores do Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos estimam que entre 7% e 11% dos adolescentes apresentam sintomas claros de depressão, e que de 2% a 3% têm quadros graves da doença. No Brasil, as estatísticas científicas estimam que os jovens apresentam incidências semelhantes, sendo a depressão mais comum nas meninas adolescentes (12%) do que nos meninos (5%).

Fonte : Revista Carta Capital

Esquenta o Debate.

Desenham-se então questões importantes, que ainda não tem resposta e acabam por esquentar o debate. Questões como :

  • Novas gerações não estão mais suscetíveis à estes problemas devido ao ambiente de super-excitação que novas tecnologias e o ambiente cultural contemporâneo proporcionam? Excitá-los ainda mais com ações motivacionais de baixo espectro é o melhor caminho para motivá-los de fato?
  • A motivação de equipes, nos formatos tradicionais que foram gestados pelo Treinamento Empresarial, geralmente podem acabar na exacerbação das expectativas da equipe ou parte da equipe em função da reação individual de cada colaborador ao que foi exposto. Ora a elevação de expectativas num cenário de impermanências para uma geração ansiosa, acessível à frustrações e com baixa resiliência não pode provocar colaboradores, ao invés de motivados no curto prazo, mas deprimidos e desmotivados no médio-logo prazo?
  • Esta ainda é uma fórmula válida para as novas gerações? Ou há uma maneira melhor de motivá-los e com menos riscos?

Se já assistiu à uma Palestra de Liderança, terá visto que uma das características de qualquer liderança é a redução máxima dos riscos em todas as ações que levam à cabo. Como riscos nunca são eliminados em 100 %, ao assumirem riscos, as lideranças maduras procuram trabalhar com as menores expectativas e os melhores planejamentos possíveis. O que leva à outra questão do debate.

  • Como as lideranças podem baixar a excitação e expectativas exacerbadas de uma geração ansiosa e atingir resultados máximos?

São questões graves e que colocam sob questionamento sério o uso de fórmulas amplamente aceitas até o momento. As Empresas de Treinamento e Desenvolvimento que mantém seus portfólios atualizados já começam uma abordagem para as ações motivacionais sob um espectro um pouco mais brando, no que diz respeito ao impacto emocional, muito comum nestes eventos. Agora partem para abordagens um pouco mais intelectivas, porém ainda mantém algumas dinâmicas motivacionais, afinal estas questões ainda não estão fechadas e definidas.

Quaisquer que sejam os caminhos que o Treinamento Empresarial adotará para manter as novas gerações em sua melhor forma não poderão estar descolados destas análises e suas respostas, sejam quais forem.

Novas Gerações – Novos Desafios.

 


Fonte da Matéria : TrainerBr

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