Trabalhando Demais – Curso de Liderança

Curso de Liderança – Working a Lot.

Quando um treinando ou colaborador que nos escreve menciona que possui uma carga diária de trabalho em torno de 13/14 horas por dia, reclamando que seu gestor, ou a organização impõe, sempre veladamente nunca como exigência, tal comportamento, vem à nossa mente os comparativos de produtividade brasileiros com outros países.

O que percebemos é que existem causas estruturais e tecnológicas, mas também há o espectro cultural que pode ser, também entendido como formação profissional e sua capacitação para a produtividade.
Quando lideranças investem pouco na formação de seus colaboradores, revelam-se lideranças, também, pouco capacitadas. Os dados são alarmantes, um trabalhador brasileiro produz, em média :

  • 24 % do que produz um trabalhador Americano, ou seja produz 76% menos.
  • 40 % do que produz um trabalhador Sul Coreano, ou seja produz 60% menos.
  • 51 % do que produz um trabalhador Chileno, ou seja produz 49% menos.
  • 59 % do que produz um trabalhador Russo, ou seja produz 41% menos.
  • 74 % do que produz um trabalhador Argentino, ou seja produz 26% menos.
  • 209 % do que produz um trabalhador Indiano, ou seja produz 109% mais.
  • 120 % do que produz um trabalhador chinês, ou seja produz 20% mais.

Os dados são do Conference Board, organização americana que reúne cerca de 1200 empresas públicas e privadas em 60 países e pesquisadores. (Veja em https://www.conference-board.org/)
As razões para tal discrepância são de vários matizes. Estruturais, tecnológicos, econômicos etc.. Porém o que de fato nos interessa, pelo menos neste momento, é o educacional. O dado que nos chamou mais a atenção neste cenário foi a média de treinamento que um profissional americano recebe durante o ano comparado com o do trabalhador brasileiro.

  • Trabalhador Americano = 120 horas médias de treinamento por ano.
  • Trabalhador Brasileiro = 30 horas médias de treinamento por ano.

Cremos que, diante de outros indicadores é somente uma coincidência, mas observou que um trabalhador brasileiro produz aproximadamente ¼ do que produz um trabalhador americano e recebe ¼ do treinamento para sua capacitação? Não queremos aqui afirmar que se treinássemos nossos colaboradores como os americanos teríamos a mesma produtividade, afinal há outros fatores que influenciam como políticas de incentivo à industria, educação etc.. Mas porquê esta diferença tão grande? Alguns afirmam que a tecnologia pesa muito, sim concordamos, mas não é um dado determinante para esta diferença toda. Se o dado tecnológico, como defendem alguns, pesa tanto nesta balança, porquê produzimos menos que :

  • Chilenos – Nunca foram um polo de excelência tecnológica.
  • Sul Coreanos – Há 60 anos atrás um país de economia arrasada pela guerra da Coréia.
  • Russo – Há 30 anos tráz considerava-se que a Industria russa era sucata da guerra fria. Lembram-se dos carros russos?
  • Argentinos – Tiveram a economia comprometida por 50 anos com a guerra das Malvinas e, também, nunca foram um polo de excelência tecnológica.

 

O que apontamos aqui é que este é um estigma que não acompanha somente os trabalhadores, mas seus líderes também. Se nossos trabalhadores são mal preparados e pouco treinados para exercerem suas atividades mais produtivamente representa, entre outras coisas, que seus líderes também o são.
A lógica é simples e inatacável, um líder melhor preparado, prepara melhor seus liderados.
Um líder menos preparado procura compensar a falta de preparo que, como líder proporcionou ao seu colaborador, fazendo-o trabalhar mais horas, ao invés de prepara-lo para trabalhar mais produtivamente.
Assim estabelece-se uma relação perniciosa de expectativas veladas que fazem qualquer liderança colapsar no desgaste do liderado e na improdutividade.

Um dos aprendizados que procuramos desenvolver no Curso de Liderança para os aspirantes à lideres esbarra exatamente nesta postura do líder. O liderar pelo exemplo também nos prepara armadilhas do tipo : Se eu, líder, trabalho 14/15 horas por dia, meus liderados devem fazer o mesmo. Esta é uma das posturas não declaradas, mas que sempre, percebemos como expectativa em alguns líderes ou, supostos, líderes.
O único resultado que vemos deste posicionamento imaturo de líderes ao longo dos anos é o colapso da sua liderança, quando não acontece um colapso cardiáco ou emocional antes. No Curso de Liderança não é exatamente assim que se propõe o líderar pelo exemplo, mas é nesta distorção na qual apoiam-se os líderes menos preparados para a liderança.
O que os líderes menos preparados não percebem é que ao assumir esta postura, também assumem que não prepararam-se para exercer suas atividades em uma carga horária de 8 ou 10 horas. Por serem despreparados para executarem suas tarefas neste tempo, são forçados à extenderem-se no trabalho. Claro, é o excesso de trabalho, porém todo trabalho é excessivo para quem está despreparado. Resumindo, falta de lideranças preparadas = excesso de trabalho para líderes e liderados. Um tema que, no Treinamento para Líderes, dá muito pano pra manga e gera muitas reflexões e reações indesejadas, mas observamos também que, sempre, estas reações vem de líderes que estão exatamente nesta situação. Icônico, não acham?

Claro que em algum momento da organização pode surgir um projeto ou uma demanda temporária qualquer que force o time á trabalhar demasiadamente por um determinado período, por melhor que seja preparado este time. Mas são pontos fora da curva e não uma constante na organização. Quando a organização faz deste mecanismo uma constante, significa que está administrando, constantemente o desgaste e o colapso, dos liderados, dos líderes ou da própria organização.
Sempre, em qualquer estatística da natureza acima mostrada, verá a falta de capacitação como um dos fatores fundamentais da improdutividade e liderados pouco capacitados só podem ser fruto de líderes, também, pouco capacitados.
Como já o dissemos, a liderança é um fenômeno que tem suas complexidades e uma delas é exatamente esta. Time pouco capaz = líder pouco capaz.
O que Empresas de Treinamento Empresarial mais maduras procuram construir nos aspirantes à liderança é exatamente este conceito que empurra o líder para suas reais responsabilidades, ou seja, capacitar/desenvolver pessoas constantemente de forma que, a atividade profissional não seja fonte de desgastes, mas sim fonte de criatividade e inovação, descobrindo e criando novas e melhores formas de se fazer as coisas, sempre. E isto você não vai conseguir fazer colocando seus liderados para trabalhar 14/15 horas por dia. Trabalhar 14/15 horas por dia, sempre, chama-se improdutividade que resultará em desgaste. A organização sofre e para sofrer menos coloca seus colaboradores para sofrerem, ao invés de torna-los mais produtivos. Um círculo vicioso de irracionalidades, desequilíbrios e improdutividade.
Há outro espectro que coloca as lideranças contra a parede, é que se um staff realiza durante o ano o Curso de Gestão de Pessoas como um dos fundamentos para a boa administração do negócio, deve saber que a boa gestão de pessoas é um motor para o desenvolvimento profissional e pessoal. E que gestão de pessoas estão realizando as lideranças ao submeter seus colaboradores ao desgaste do excesso de trabalho ? Ainda não aprenderam que working hard não é working a lot.

O Desenvolvimento de Liderança nas organizações tem vários desafios para superar e um deles são as lideranças identificarem seus papeís na organização claramente e perceberem, que como líderes, só podem existir para corrigir os desequilíbrios da atividade corporativa, sejam quais forem. Para manter o desequilíbrio não são necessários os líderes. Resumindo uma das frases o notável Henry Ford : Quem trabalha muito com a cabeça, não precisa trabalhar muito com os braços.

 


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