Liderança e Individualismo – Curso de Liderança

Liderança e Individualismo – Curso de Liderança.

A dificuldade na tratativa de temas complexos é que, normalmente, são frutos do esforço coletivo de vários autores, de várias mentes diferentes e sua reunião em uma única obra é muito difícil. Quando abordamos a liderança estamos lidando com um tema que possui esta característica. Não é de se estranhar que o Curso de Liderança contemporâneo é premiado com tantas abordagens diferentes que torna difícil ao leitor uma construção clara, uma visão que possa ser compartilhada sem muitas variações e possa ser compreendida por todos.

Para dificultar ainda mais, o aspecto cultural entra no cardápio como um grande dificultador ou facilitador da compreensão legítima da liderança e suas formas de manifestação. E quando o espectro cultural entra no cenário das análises, tudo fica bem mais extenso e cheio de possibilidades. Um desafio para quem estuda a liderança na sua profundidade.

Um dos calcanhares de Aquiles na formação das lideranças, e que você verá poucas Empresas de Treinamento e Desenvolvimento abordarem em profundidade, é a questão do individualismo. Quando testemunhar alguma abordagem em torno do individualismo, será tão pouco profunda que não deverá acrescentar muita coisa ao que você já sabe. Escrevemos esta matéria na tentativa da provocação de reflexões e iremos dar um passeio em diversas abordagens diferentes na mesma dissertação. Algumas serão aceitas de imediato, pois tratam-se de obviedades, já outras deverão serem rechaçadas pelo leitor. É assim mesmo que reflexões acontecem e este será o objetivo de nossa provocação.
A reflexão concordante ou discordante, não nos importa. O que de fato nos importa é que reflita sobre o tema.

 

Liderança como Função da Coletividade.

Ora, qualquer Palestra de Liderança mínimamente atualizada, mencionará que o fenômeno da liderança é eminentemente coletivo.
Algumas afirmam a mesma coisa dando-lhe a característica de sistêmica. Esta constatação é uma obviedade muito repetida no Curso de Liderança quando a máxima “ninguém lidera sozinho” é repetida constantemente por treinadores. Outro caminho para corroborar esta afirmação é que o líder só pode ser líder de alguém, de outra pessoa ou de outras pessoas, consequentemente sendo um fenômeno que manifesta-se somente em coletividade.
A expressão “liderar à si mesmo”, que poderia sugerir uma liderança individualizada, não passa de força de expressão, faz uma analogia com a disciplina e não serve para muito mais do que isto.
Portanto chegamos à conclusão, óbvia de que a liderança é um fenômeno que só pode acontecer no seio da coletividade e é função desta. Não existindo a coletividade, não há liderança possível.

A Liderança e os Objetivos da Colatividade.

Outra consequência da liderança é que, sendo condicionada à coletividade, só poderá continuar existindo se não se chocar com os interesses legítimos desta coletividade. Para entendermos melhor vamos imaginar uma coletividade orientada para uma determinada finalidade. A liderança só acontecerá se esta coletividade perceber, num indivíduo ou indivíduos, a melhor possibilidade de direção, tal que, os objetivos da coletividade sejam atingidos.
Para se entender melhor. Uma fábrica de equipamentos agrícolas é uma organização empresarial cujo propósito é a produção e venda de equipamentos agrícolas. Este é o objetivo da coletividade ali reunida. O líder que dirigir esta organização de forma que seus objetivos sejam plenamente atingidos, deverá ser o mesmo que a coletividade identificará como sendo aquele apto à dirigí-la. Não necessariamente o mais apto, porém estará apto à manutenção do objetivo que legitima a existência daquela coletividade organizada.
Assim as coletividades legitimam seus líderes.

O Individualismo Cultural.

A estrutura hierárquica que as organizações construíram ao longo dos anos foi afastando cada vêz mais colaboradores da direção do negócio. Grandes organizações foram se formando e cada vêz mais um sistema de hierarquias foi necessário para que a estrutura toda funcionasse dentro dos parâmetros estabelecidos para a organização, à medida em que a revolução industrial avançava. Nada mais natural é assim mesmo que deveria ter acontecido.
A hierarquia não é um grande problema apesar de afastar pessoas dentro das estruturas. A identificação cultural entre indivíduos sempre foi forte o suficiente para se sobrepor às barreiras hierárquicas, vemos isto nas formas de organização antigas aonde o indivíduo no ponto hierárquico mais distante do poder ainda nutria simpatia, por identificação cultural, com quem estava no comando. Observação sutíl possível de ser detectada mesmo em nosso ambiente ancestral.

Acontece a revolução industrial não gestou somente as estruturas organizacionais como as conhecemos hoje, mas toda uma cultura liberal, e depois neo-liberal, que exacerbou o individualismo e gestou o que alguns autores chamaram de individualismo cultural.
Esta cultura individualista inserida numa estrutura hierárquica acabou por se sobrepor à identificação cultural, eminentemente coletiva, e um dos importantes laços que uniam líderes e liderados deixou de existir.
Então desenhou-se um novo relacionamento de identificação entre líderes e liderados, uma vêz que os laços culturais foram substituídos pelo individualismo, os capatazes das fazendas ganharam uma função na estrutura industrial, a vigilância. Vigilância é o melhor remédio para a gestão de coletividades cujos indivíduos não tem outros laços, como o laço cultural.

O Destruidor de Lideranças.

Esta cultura individualista entrou nas mentes e corações de forma lenta, através de processos culturais diversos desde a mais primária educação até a mais avançada das formações profissionais.
Pais educam seus filhos para o individualismo sem o saber, pois assim foram igualmente educados. Basta observar que desde o ensino fundamental há uma regra nesfasta de premiação para o melhor aluno e para o pior aluno, o desprezo e a crítica. Estamos tão atrasados, sob este aspecto, que temos dificuldades para pensar ao contrário.

Ao invés de para o pior aluno, o melhor suporte, a maior atenção e todos os esforços de re-orientaçao sendo focados, o que sobra é o desprezo, por vezes, o preconceito e o castigo. Não há forma mais eficaz e horrorosa de se incentivar o individualismo do mais capaz e exacerbar a separação do menos incapaz desde a mais tenra idade. O resultado só poderá ser um : Mentes Individualistas e Conflitos.
À medida que avançamos, o individualismo continua sem perder fôlego. Quando começam as aspirações profissionais o objetivo é o sucesso e quem não atinge o sucesso é um fracassado. O sucesso é exacerbado em nossa cultura como algo individual e não coletivo. Tanto que dividimos o mundo entre bem sucedidos e fracassados. O resultado só poderá ser um : Mais mentes Individualistas e mais conflitos.

Por consequência, gerações e mais gerações dedicam suas vidas ao sucesso individual, claro faz todo o sentido principalmente numa sociedade competitiva.

O sucesso coletivo é outra conversa muito mais sofisticada e profunda. Para as massas, nada melhor do que exacerbar o sucesso individual para vender todo o tipo de coisa que possa imaginar desde produtos até estilo de vida.
A consequência ao longo do tempo é profundamente nefasta e acaba tornando indivíduos experts na orientação individual e absolutamente despreparados para orientações coletivas. A mais icônica das constatações desta tragédia cultural é a inaptidão ética de pessoas frente ao que é coletivo. A maioria das pessoas ainda pensa que ética é algo de espectro individual, ou seja, cada um tem a sua, tão distantes do preparo para o coletivo que até a ética tornou-se individualizada.

Pessoas bem preparadas para o individual são pessoas despreparadas para o coletivo.

As tentativas de formação de qualquer consciência coletiva nas organizações, ou qualquer outro grupo, é um esforço titânico e , por muitas vezes fadado ao fracasso por uma razão óbvia. A luta contra uma cultura centenária não se resolve numa Palestra sobre Ética, pode ser um primeiro passo fundamental, mas não a receita para uma mudança cultural.

O Pior dos Cenários – Líderes Individualistas.

É exatamente o tempo que estamos vivendo. Líderes promovendo o tempo todo sua própria imagem como winners. Por incrível que pareça a maioria do pensamento do Treinamento Empresarial ainda está colado à motes do tipo “prepare líderes de sucesso”.

Não seria melhor : Prepare a coletividade da sua organização para o sucesso? Mas aí não seria muito comercial, não acham?

Empresas pagam pela Palestra Empresarial para ouvirem afirmações do tipo seja um líder de sucesso. O sucesso é para você líder e não para a sua coletividade. Porquê isto acontece?
Lembram-se do dilema de Alice? Para quem não sabe aonde quer chegar qualquer caminho serve? Pois bem para quem não sabe nada sobre um tema, qualquer coisa, também serve.
Ora, se a liderança depende do coletivo para que aconteça, como poderá um individualista liderar, se o que procura sempre é o seu sucesso individual?
Bingo!!!! Um enorme antagonismo cultural e de difícil resolução.

Instrumentalização do Coletivo.

Neste momento aparecem os gurus da liderança com suas frases de efeito do tipo “ninguém chega ao sucesso sózinho”, mais uma vêz exacerbando a individualidade da pior forma possível, disfarçando de pensamento coletivo. Ainda há muita gente que acha uma bela e sábia frase sem saber o que se esconde por detrás desta estupidez. Quer saber de fato?

Pois bem como já é percebido, para os mais informados, que a liderança só pode acontecer em coletividade, nada melhor do que instrumentalizar a coletividade para o proveito próprio, ou seja, a liderança e o sucesso. Parece com algo que os políticos fazem? A instrumentalização das massas em favor de sua própria liderança e de seu sucesso individual. Pois é. Assim é a vida.

Ao invés de dedicar-se ao coletivo para o seu desenvolvimento, o caminho mais curto para a liderança é a sua instrumentalização para o sucesso do líder.
O individualismo é tão profundo e tão bem vestido do que é politicamente correto que frases desta natureza ganham status de sabedoria. Mas o que vemos no dia à dia é a corrida insana para o sucesso, mesmo que para isto seja justificável a instrumentalização do outro, ou seja, torna-lo um mero instrumento à ser utilizado para que o sucesso seja, afinal, atingido. E gurus vendem e faturam, instrumentalizando os demais e chegando ao sucesso. Bingo!!!! As coisas não parecem o que são mesmo.

Ética. Não !!!!! Não vamos falar de ética, pois ela torna as coisa muito complexas, o mais fácil é a instrumentalização do outro mesmo. E assim a vida segue. Um engano de todos por todos e líderes mesmo, ainda são uma raridade.
O melhor teste que poderá fazer é. Primeiro olhe para os lados e ache um líder, sequer um líder de fato. Não pessoas de sucesso, mas líderes de fato. Aí está a sua resposta para o individualismo dos líderes.
Líderes individualistas é um contra-senso. Por esta razão é o pior dos cenários. Confundimos pessoas de sucesso com líderes, tal é o engodo cultural que se dissemina facilmente nas mentes dos menos avisados (maioria). As próprias empresas de treinamento empresarial promovem esta distorção por simplesmente não saberem o que ensinam no quesito liderança. Algumas poucas dão uma amostra de conhecimento tácito em torno do tema. A maioria não passa de disseminadoras de sofismas mesmo ou repetições de fórmulas do passado.

Como Resolver Isto?

O único caminho é o estudo sério, profundo de quem se interessa pelo tema, não se importando se o que aprender irá requerer de si mesmo uma longa e trabalhosa mudança cultural. Achar que irá liderar alguma coisa porquê realizou uma imersão de final de semana num hotel fazenda qualquer, não passa de mera ilusão.
O que vemos na grande maioria dos casos são empresas de treinamento e desenvolvimento ensinando técnicas de gestão no lugar da liderança. Por não conseguirem ir adiante acabam por realizar o ensino de meio caminho e como o mercado aceita, o faturamento está garantido e o sucesso também, claro de quem treina e não de quem precisa urgentemente de um líder na organização.
Não há outro caminho, a liderança de fato passa por reflexões, experimentações, fracassos, conhecimento, construção diária e contínua. Assim é a vida e assim ela se manifesta, a vida não dá saltos. A liderança somente acontece através do sucesso coletivo, seja nas organizações ou na vida privada.
Líderes são aqueles que viabilizam este estado de coisas através do esforço coletivo (sim liderados tem de se esforçar, e muito), do desenvolvimento e não da instrumentalização do coletivo.

Continuarão uma raridade, mas quando surgirem farão uma enorme diferença.

 


Fonte da Matéria : TrainerBr

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