Liderança e Massa Crítica


Curso de Liderança – Massa Crítica

Pergunta enviada em 24/07/2017 :

Liderar por massa crítica não fere a ética? Não exclui pessoas?

Não. Muito pelo contrário privilegia a ética como fundamento das relações do grupo, pelo menos em tese. Esta expressão você deve ter ouvido no Curso de Liderança ou na Palestra de Liderança. Se observar bem verá que só se lidera por massa crítica. Primeiramente vamos entender o conceito de massa crítica. Veio da física.

  • A massa crítica de um material fissionável é a quantidade necessária para manter uma reação nuclear em cadeia auto-sustentada. Uma configuração na qual uma reação em cadeia é alcançada no limite é denominada de crítica, e diz-se, nesse caso, ter-se obtido criticidade. Numa tal configuração, sem introdução de novos elementos, a reação aumentará espontaneamente e linearmente.

Se observar bem o que se propõe no Curso de Liderança é exatamente este espectro de abordagem. Um líder, para um determinado propósito, só lidera se tiver liderados, seguidores. Se um líder não tiver um número mínimo de liderados ou seguidores, em qualquer grupo, sua liderança não se desenvolverá, espontâneamente.

Num determinado grupo, o comportamento coletivo pode ser, e geralmente é, influenciado pela massa crítica dos liderados. Quando uma parte significativa de qualquer grupo passa à adotar um objetivo, uma forma de convívio, uma idéia ou seja o que for, de alguma forma influencia as decisões dos outros elementos deste grupo. Isto acontece tanto para coisas boas, que desenvolvem os grupos, quanto para coisas ruins, que tem efeito deletério sobre o grupo.

 

Como quantificar esta massa crítica?
Não existe um método que proporcione este dado com segurança, pois trata-se das escolhas e reflexões pessoais de cada indivíduo do grupo, mas por observação chegamos ao ponto de delimitar em torno de 30 % o ponto de massa crítica para grupos.
É um dado científico fixo e invariável ? Não, mas orbita em torno disto e podemos observar a influência acontecer mais claramente quando chega-se próximo à este patamar de massa crítica, para comportamentos.
De fato qualquer elemento do grupo acaba por influenciá-lo, de alguma forma, mesmo que seja somente um elemento, porém quando o grupo passa à adotar características do mesmo comportamento coletivamente é quando detecta a massa crítica como um novo padrão e não um comportamento individual, isolado.

Massa crítica, no tocante aos comportamentos humanos, não é uma informação absoluta, fixa, delimitada, mas percebemos que acontece. Portanto não agarre-se á estes 30 %, mas também não se iluda achando que apenas um indivíduo do grupo terá esta influencia toda, à não ser que seja um individuo diferenciado, genial, o que não é o caso de que estamos tratando. O conceito confunde-se com o efeito manada e tem fundamentos que precisam ser melhor explorados por acadêmicos do comportamento humano.
Muito bem voltando à sua questão. Se um indivíduo encontra-se num determinado grupo, numa sociedade ocidental e democrática, é porquê escolheu estar neste grupo. Mesmo que motivado por uma necessidade, mas escolheu. Sua escolha é soberana. Continuar ou não no grupo, também é uma escolha. Esta questão é bem explorada na Palestra sobre Ética. Uma vêz que o grupo começa à adotar um novo comportamento, que pode ser influência de uma nova liderança e sua massa crítica, o indivíduo passará por uma nova deliberação e uma nova escolha :

  • Adota este novo comportamento, após deliberação do que será bom ou não para sí, passando à fazer parte da massa crítica. Irá aumentá-la e exercer uma influência maior sobre o grupo.
  • Não adota este novo comportamento, mas continua em colaboração com o grupo, por uma questão estratégica.
  • Abandona o grupo, neste caso por não adotar o comportamento e não ser colaborativo com o grupo. Naturalmente se afastará do grupo e procurará outro aonde seus comportamentos se encaixem melhor.

O mecanismo é este mesmo e deixa o indivíduo escolher como se relacionar com o grupo. É ético. O que pode se questionar são as intenções que estão atrás dos comportamentos e das relações do grupo, mas quando se pensa nos mecanismos de como funcionam, é isto mesmo, sem muitos enfeites.

Grupos, normalmente, não excluem pessoas, são pessoas que se excluem dos grupos por escolha, por deliberação. Muitas vezes damos o nome de afinidades à esta característica das relações indivíduos-grupos. Não vemos nada de não ético nesta questão, pelo menos em conceito.
O que pode acontecer é o grupo adotar um comportamento pouco ético com alguns de seus elementos, mas, neste caso, a questão é outra e não da liderança por massa crítica, mas sim por causa dos valores que o grupo nutre. Outro universo de análises muito mais complexo e que não trataremos aqui.

Voltando ao que vemos no Treinamento para Líderes é que a liderança só consolida-se mesmo por massa crítica dos liderados e o mecanismo está descrito acima. É um mecanismo natural e as faltas éticas não acontecem em função do mecanismo, mas sim das escolhas e valores das pessoas que compõe os grupos, sejam elas líderes ou liderados.
O que vemos acontecer no universo das Empresas de Treinamento Empresarial é que quando abordam esta questão costumam, por expectativa de apresentar materiais objetivos, elaborar fórmulas que acabam em sofismas. No que refere-se ao conceito de massa crítica, sabemos que acontece, mas é um fenômeno inexato para nós, não é possível estabelecermos números para explicar muitos dos comportamentos humanos coletivos ou não.

Talvêz esta tarefa fique para estudiosos que aprofundarem-se nesta questão, mas ainda está no futuro.

 


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