O Uso de Nootrópicos – Palestra sobre Ética


Palestra sobre Ética. É Ético o uso de Nootrópicos?

Pergunta enviada em 30/10/17:

Falem mais sobre a afirmativa do uso dos nootrópicos, este assunto foi mencionado no debate da Palestra sobre Ética.

Na Palestra sobre Ética falamos, de fato, na negativa do uso de nootrópicos. Talvêz pela constatação de que é um hábito cada vêz mais comum no mundo corporativo e estar fazendo moda, principalmente em empresas de tecnologia, é um assunto que merece atenção.
No Brasil já há executivos, empresários, empreendedores de toda a sorte fazendo uso destas substâncias.

O que são ?

Para quem ainda não sabe sobre o tema, os nootrópicos são substâncias potencializadoras da cognição, também conhecidas como as drogas inteligentes. Na verdade seu uso é mais antigo do que parece. Nos anos 70, o pesquisador romeno Corneliu E. Giurgea definiu como nootrópicos as substâncias que, apesar de potencializar as capacidades cognitivas, não são tóxicas, viciantes ou provocam efeitos colaterais significativos.

A medida que os profissionais se tornam cada vez mais obcecados com a realização e a produtividade, a prática de aumentar quimicamente o desempenho é cada vez mais comum. Com o incremento da demanda, houve um boom de empresas que vendem pílulas com diversas substâncias consideradas nootrópicas, como cafeína e ômega 3. Entre essas companhias, estão a Nootroo e a Nootrobox, startups do Vale do Silício que asseguram ter entre seus investidores importantes nomes da indústria da tecnologia.

Mas na vida real, as opiniões divergem.

Nenhuma pílula vai fazer milagres com sua inteligência. O que elas fazem, geralmente, é afetar o funcionamento do seu cérebro para melhorar a eficiência de certos processos. Se a informação e conceitos de qualidade já não estiverem presentes no cérebro do usuário, os nootrópicos irão potencializar o que?
Tendo isso em mente, é necessário também o acompanhamento médico para garantir que você está usando as doses corretas dos remédios para a inteligência e para saber se pode haver opções ao invés da pílula, como tratamentos naturais, alimentação ou mudanças de hábitos. Há também sérias dúvidas no ambiente científico se o uso continuado destas bombas de inteligência podem ocasionar depressões, ansiedades ou outras reações neurais de outro espectro. Ainda é cedo para afirmar qualquer coisa em torno desta questão.

Embora possa não ser perigoso confiar nos nootrópicos de uso comum para facilitar sua vida, os riscos a longo prazo de se tornar dependente dessas drogas e suplementos é um grande ponto de interrogação. O cérebro é complicado. Ao tentar drogá-lo, você arrisca perturbar seu equilíbrio. Os nootrópicos funcionam de várias maneiras, muitas das quais ainda não são totalmente compreendidas pelos pesquisadores.

Pelo menos uma coisa é bastante clara: os chamados medicamentos inteligentes não o tornarão inteligente, tomar uma pílula ou uma “pilha” de suplementos por dia não vai transformá-lo no próximo Einstein. O consenso no ambiente acadêmico é que os nootrópicos não aumentam QI. Se ver esta informação em algum lugar é mito de quem, possivelmente quer lhe vender alguma coisa.

 

Ética.

Os nootrópicos modernos são moda no Vale do Silício.
Supostamente estimulam a mente e aumentam a concentração e este hábito avança em ambientes de trabalho competitivos cada vêz mais. Imagine que se você tomasse um comprimido que, além de te deixar mais ligado e concentrado, melhora a memória e impulsiona a criatividade e a produtividade.

Quem iria competir com você, em sua atividade?

É aqui que a coisa toda esbarra na questão ética e este foi o ponto que abordamos na palestra sobre ética. Alías esbarra em inúmeras questões éticas a apresentaremos aqui somente algumas delas.
Imagine um mundo corporativo inundado de usuários de nootrópicos.

  • Como uma organização irá selecionar seus profissionais para posições de liderança e gestão? Os mais drogados ou os menos drogados?
  • Uma vêz que o responsável pelo desempenho do colaborador não é mais seu esforço pessoal, e sim o uso de drogas, que leitura os não usuários terão do ambiente? Que comprometimento irão nutrir em se esforçar para fazerem algo melhor se estão em, suposta, desvantagem frente aos usuários de nootrópicos?
  • A opção para deixar tudo nivelado, será drogar todos os colaboradores?
  • A organização vai premiar os drogados em detrimento dos limpos de substancias ativadoras?
  • Não conhecendo os efeitos de longo prazo em usuários destas substâncias e sabendo que existem chances delas afetarem as formas de julgamento individuais, como confiar no julgamento de usuários destas substâncias?

Percebem que a coisa tem desdobramentos mais complexos do que, inicialmente se imagina?

Sob a ótica do Treinamento Empresarial.

Imagine se as Empresas de Treinamento e Desenvolvimento adotarem esta moda. Sua organização contrataria um Treinamento para Líderes sabendo que o treinador teria suas percepções alteradas pelo uso de substâncias químicas?

Imagine um Treinamento in Company, aonde a estrutura do treinamento vai para dentro de sua empresa. Treinadores, pessoal de apoio etc.. Entrando na sua organização com substâncias que alteram a percepção das pessoas, podendo serem legais ou ilegais, nunca se sabe. Não acabaria numa provável exposição de seus colaboradores a riscos? Seria aceitável para sua organização?
Foi mais ou menos por esta vereda de indagações que elaboramos na Palestra sobre Ética. O mundo empresarial é sensível a estas questões e deve reagir a elas.
Por enquanto, preferimos assumir uma posição mais conservadora e atenta ao que estudos científicos sérios e de longo prazo poderão trazer de luz sobre esta questão. Por hora, o mais inteligente é utilizamos a inteligência que temos, continuarmos estudando para adquirir mais inteligência e experimentando o que aprendemos. É melhor do que colocar nosso desempenho por conta de pílulas.
Sabemos que, principalmente no Vale do Silicio é um hábito cada vêz mais comum, porém não vemos sentido em assumirmos riscos tão elevados e que esbarram em questões éticas, e quem sabe de saúde também, em nome da criatividade e produtividade.

Preferimos o caminho mais longo, do aprendizado e da experimentação constante. Não precisamos de drogas e nem dos atalhos que elas, supostamente, nos proporcionam.
Preferimos a inserção de mais informações e de maior qualidade em nossas mentes do que, simplesmente potencializar o que já está lá. Além do que há outras formas de potencializar o que já conhecemos.
O problema das pílulas é que são um atalho. Atalhos, muitas vezes, são coisas para quem não gosta muito do esforço do trabalho, estão sempre em busca de uma forma mais fácil e que acaba por depor contra os seus próprios usuários. Este hábito só mostra que são indivíduos que escolhem o caminho mais fácil para a solução de suas demandas. O mundo não precisa mais de indivíduos que escolhem sempre o caminho mais fácil.

Precisa de indivíduos que sabem como lidar com as complexidades e conheçam os limites do bom senso na sua hora de tomadas de decisão. Esta é a verdadeira carência no ambiente empresarial.

 

Fonte da Matéria : TrainerBr

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