Sexismo nas Organizações – Empresas de Treinamento


Sexismo nas Organizações – Sob a ótica de uma Empresa de Treinamento

Pergunta enviada em 02/10/17:

Qual é a sua opinião sobre a questão do sexismo nas organizações?

É um tema complexo que requer o suporte de disciplinas como psicologia e sociologia para darmos uma resposta mais completa. Este fórum não seria o mais adequado para uma abordagem desta complexidade, então vamos dar um resposta conceitual, reduzida e, unicamente sob nossa perspectiva.
Iremos contribuir dando nossa opinião, porém deixando claro que trata-se de nossa observação pessoal e até o quanto pudemos captar em nossa atividade.
É um tema que foge das abordagens da maioria das Empresas de Treinamento e Desenvolvimento e nosso ponto de partida será alguns questionamentos que já tivemos de responder no Curso de Liderança quando trainees indagam se homens lideram melhor do que as mulheres ou vice-versa.
Dividiremos em 3 partes : A resposta que demos em alguns Cursos de Liderança. A abordagem ética, extraída de nossas palestras sobre ética e os Treinamentos de preparação de novas lideranças.

Vamos primeiramente à definição do que é sexismo, de forma reduzida.

Dá-se o nome de sexismo à avaliação de um indivíduo tendo como ponto de partida o seu sexo. Isto significa que a pessoa é classificada como apta, não apta ou menos apta à qualquer atividade, capacidade, comportamento ou qualquer outra de suas manifestações, baseando-se que o sexo é quem definirá esta aptidão.
Ou ainda o sexismo define direitos baseados no sexo. O sexismo, por conseguinte, é a discriminação baseada pelo sexo. O termo também alude aos prejuízos e aos estereotipos que pesam sobre mulheres ou homens pelas condições e crenças que são atribuídas às características de cada sexo.

 

Curso de Liderança.

Já fomos questionados se homens lideram melhor do que mulheres ou vice-versa.
Ora, se liderança é um fenômeno circunstancial e dinâmico significa que não podemos dar ao homem ou à mulher a condição de melhor líder natural ou não.
Para que entenda melhor, o sexo não é condicionante para que o indivíduo seja um bom líder, mas sim suas capacitações para lidar com a situação que demanda a liderança. Se estas capacitações estiverem numa pessoa do sexo masculino, será ele então o melhor líder para resolver a demanda. Se estas capacitações estiverem numa pessoa do sexo feminino, será ela então a melhor líder para resolver a demanda. Simples assim.
O sexismo não passa de uma construção cultural que não alcança os mecanismos da liderança, portanto a pergunta quem lidera melhor homem ou mulher é uma tentativa infrutífera de identificar no sexo o diferencial do líder. Não está no sexo, está em como se manifestará a pessoa diante das demandas dinâmicas da vida, seja homem ou mulher.

Palestra sobre Ética.

Geralmente damos um tempo, após uma Palestra Empresarial para alguns questionamentos ou uma melhor elaboração sobre algum tema que seja requerido por alguém. Só não o fazemos quando não há possibilidades de agenda ou de programações em simpósios, convenções etc.., aonde as palestras podem ser continuadas e sem janelas para uma maior interatividade.
Também fomos questionados se o sexismo fere a ética.

Outra questão bem delicada. Se a ética é uma construção humana pode ser que, por alinhamento ético, determinado grupo decida que a liderança será de prerrogativa de homens ou de mulheres. Neste caso a liderança é determinada pelo sexo, mas antes de tudo um alinhamento cultural e ético. Mas não podemos entender que isto seria sexismo como entendemos nas sociedades ocidentais, ou seja como algo negativo e machista.

Temos alguns exemplos de agrupamentos humanos aonde a liderança é feminina, como a sociedade mosuo, conhecida por muitos como o “Reino de Mulheres”. O povo Mosuo é um pequeno grupo étnico que vive em Yunnan e Sichuan na China. Sua população é em trono de 50 mil pessoas que vivem nas proximidades do lago Lugu no Himalaia tibetano. O povo Mosuo é conhecido como ‘Reino das Mulheres’ porque seguem um conceito da organização social pautado pela de matrilinearidade. A atividade heterossexual ocorre apenas por mútuo consentimento e, principalmente, com o costume da ‘visita’ noturna secreta. Homens e mulheres são livres para ter múltiplos parceiros e para iniciar ou interromper relações quando assim desejarem. A Administração das comunidades e as decisões sobre a familia cabem às mulheres.
O aspecto matriarcal da cultura Mosuo é consequência do culto à criação da vida a partir do ventre. Como o ser só pode ser gerado a partir da mulher, em seu período de incubação no útero, o homem tem um papel secundário nessa criação. Em estudo feito pela Associação de Desenvolvimento Cultural do Lago Mosuo Logu, foi concluído que essa estrutura promove a igualdade entre os gêneros porque ambos têm posições de prestígio. O matriarcado não exclui os homens, determina seu papel em empreender fora da comunidade, e quando retornam entregam à matriarca o que ganharam como gratificação pelo seu esforço dentro de casa.
A Ética da sociedade mosuo é assim e eles vivem muito bem dentro de seus padrões éticos. O que vemos na sociedade mosuo não é sexismo, é a ética formatada pela sua cultura.

Em nosso ambiente ocidental, a resposta é, sexismo, como o entendemos fere a ética pois é relacionado à postura machista e negativa na maioria das sociedades ocidentais.
Se o grupo, por alinhamento cultural e ético decidir viver como a sociedade mosuo vive, não acontece o sexismo como o entendemos, mas sim um alinhamento ético aonde as posições relativas dos indivíduos em relação ao seu agrupamento são determinadas pelo sexo.
É assim nossa posição sobre o tema sexismo quanto deparado com a questão da ética.

Treinamento para Líderes.

A capacitação de novas lideranças tem sido uma atividade bastante demandada para nós, temos formado equipes mistas e não detectamos nenhum posicionamento sexista até hoje durante estes eventos. Geralmente no Treinamento para Líderes estamos inseridos, e inserimos os trainees, num ambiente controlado aonde não damos espaço para manifestações que revelem algum tipo de preconceito.
Nossa percepção é de que o sexismo revela-se no dia à dia e em pequenos detalhes comportamentais que acabam por revelar nossas construções culturais. Nas organizações vemos que há o combate em torno das posições sexistas e geralmente são posicionamentos pessoais, afinal o que importa numa organização são os resultados e não o sexo do colaborador.
Pode ser que, por um posicionamento machista da direção e de alguns líderes, o maior contingente de algumas organizações ou de alguns departamentos sejam de homens. Mas não representa que os homens estão desempenhando melhor esta ou aquela atividade em função do seu sexo.
Como uma construção cultural, acaba por impactar também nas organizações, mas nossa percepção é a de que à cada dia o sexismo é um posicionamento reprovado cada vêz mais por não produzir nada de definitivo ou constatável da superioridade ou inferioridade do sexo frente esta ou aquela tarefa.
Para encerrar, vemos o sexismo com algo obsoleto que ainda demandará algum tempo para ser superado, afinal construções culturais não mudam da noite para o dia. O indicador é que, em algum momento iremos superar definitivamente esta construção cultural herdada de nossos antepassados por algo novo e mais adequado ao tempo em que vivemos.

 


Fonte da Matéria : TrainerBr

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