Impactos da Ética

 

Matérias do Blog “A Nova Fronteira”.

 

O Peso da Ética nas Lideranças.

Uma das coisas que nos chama a atenção quando nos deparamos com as dúvidas e desafios das lideranças nas organizações é que a maioria dos líderes são muito reticentes quando não sabem o que realizar, não sabem como fazer ou ficam paralisados diante de mudanças bruscas e inesperadas nos negócios ou num cenário crítico para a organização.
Este comportamento revela uma distorção cultural profunda nas lideranças e, em muitos casos, podem colocar as lideranças em sérios riscos de colapso. Como se fosse um pecado capital, ou um diploma de incompetência, uma liderança simplesmente não saber o que fazer.

Líderes não são super-humanos, muito pelo contrário, são tão humanos quanto qualquer um de seus colaboradores e estão sujeitos a momentos de incertezas, angústias e indecisões.
Quando testemunhar uma liderança com o discurso muito reticente pode abrir seus olhos pois, provavelmente, esta liderança está num momento de sérias dificuldades decisórias por quaisquer razões.

Alguns gurus da liderança contemporânea afirmam que um líder, quando num estado de insegurança, jamais poderá demonstrar esta sua insegurança para a equipe afim de não contaminá-la e colocar a equipe a perder. Resumindo esta premissa arcaica, o líder vai a ruína e o time vai junto.
Raras vezes ouvimos um sofisma corporativo tão retumbante e equivocado como este. O pior dos dias é que muita gente crê nisto como uma verdade irretocável e não percebem que atrás desta afirmativa estão outros elementos arrepiantes para as próprias lideranças.

Vamos somente a um deles, para seu deleite, que termina num dos paradoxos antigos da liderança que conseguimos resolver aprofundando o estudo sério e isento sobre o tema.
Ora se um líder, teve o tempo necessário de convivência com o grupo para desenvolvê-lo (inclusive desenvolvendo outras lideranças dentro do próprio grupo) e após este tempo passa por algum problema (de qualquer origem) que o faça inseguro, indeciso ou mesmo inativo, o que fará o grupo em apoio à liderança?

  • Se ficar aguardando e contemplando o colapso do líder, significa que é um grupo despreparado para crises. Sendo assim durante o tempo de convívio com o líder, em sua melhor forma, não aprenderam muita coisa, ou seja, não eram liderados por ninguém. Um paradoxo?
    Não, de fato o tempo que passaram juntos foi com uma “suposta liderança”. Alguém em posição de comando que foi intitulado (ou auto-intitulado) líder, mas que não conseguiu liderar a equipe, ou seja desenvolvê-la, logo não liderou nada.
  • Se o grupo perceber a dificuldade do líder, e for um grupo realmente preparado por uma liderança de fato, correrá em apoio à liderança. Neste momento os líderes da equipe, aqueles que não estavam no comando, assumem o posicionamento diante da liderança original em apoio e suporte em sua dificuldade. Significa que é uma equipe preparada para lidar com crises e irá reagir com maturidade quando:
    O Líder morrer, ficar doente, viajar em serviço, sofrer um acidente que o separe temporariamente de suas atividades, afastar-se para a solução de um problema familiar grave etc…..

Quem faz afirmações impensadas (muitos gurus corporativos) como as que repreendemos acima assume que:
O líder morre, o grupo morre.
O líder adoece, o grupo adoece junto.
O líder sofre um acidente, o grupo sofre o acidente junto.

Ou seja um grupo apático, inativo e inapto a andar com os próprios pés e tomar decisões sem um líder, ou seja, despreparados que sobrecarregam o líder.
Não acredite em tudo o que ouve. Mas ainda iremos explicar um pouco mais.
Não se espante com esta afirmação, lhe diremos o porquê. Para que entenda a afirmação acima, recorreremos aos conceitos do curso de liderança em seus módulos avançados.

 

O Treinamento de Liderança Contemporâneo.

O estudo da liderança contemporânea assumiu que as melhores proposições (históricas) de times bem direcionados são aqueles que tem basicamente 3 características:

Multidisciplinares – Ou indivíduos autônomos em suas disciplinas.
Indivíduos com raciocínio sistêmico.
Indivíduos capazes da construção ética.

Quanto à questão disciplinar, qualquer treinamento empresarial, contemporâneo de fato, aborda bem esta questão e dá caminhos claros para esta construção coletiva. Como se diz no jargão popular, este aprendizado já é carne de vacas.

Quanto ao raciocínio sistêmico a coisa se complica um pouco mais. Ainda há muitas empresas de treinamento confundindo visão sistêmica com o raciocínio sistêmico, que são duas coisas muito distintas. Mas va lá, só o fato de repetirem que uma das características da liderança é a visão sistêmica (sem saber explicar muito bem do que se trata) já é alguma coisa. Então damos um desconto e vamos considerar que cumprem parcialmente o seu papel.

No tocante a ética, aí é uma tragédia quase completa. Aqui vemos um enorme naufrágio das próprias empresas de treinamento na tentativa de passar este conceito de uma forma clara para as lideranças nas organizações. Basta fazer um teste muito simples. Tome meia dúzia de treinadores de uma empresa de treinamento qualquer e coloque-os em salas diferentes. Pergunte para cada um o que é ética ou o que é o alinhamento ético. As chances de ouvir meia dúzia de respostas diferentes são enormes.

É exatamente este o ponto mais fraco das lideranças contemporâneas e, por não saberem o que é ética, não tem a mínima noção da extensão das consequências da falta de um alinhamento ético nas equipes. Por falta deste alinhamento quando o líder colapsa ao invés de ampará-lo, o grupo congela (ou colapsa junto).

Resultados = Grupos que não sabem apoiar seus líderes e nem tem a mínima idéia de como fazê-lo. Líderes colapsados e grupos colapsados.

A Liderança muito reticente em seu discurso, normalmente, é uma liderança em dificuldades e sem uma equipe que o apoie, por quê não conseguiu uma construção ética para tal manobra sofisticada. Investiu muito na capacitação técnica mas não consegue evitar o colapso da equipe junto com o próprio colapso. Normalmente o pouco que sobra das equipes é por quê as hard skills tem peso, mas não o suficiente para a manutenção de um grupo inteiro, uma equipe inteira. No desespero para a manutenção de sua posição o que a liderança então faz?
Troca pessoas, substitui elementos do time até que o próximo colapso o faça agir novamente. Claro que aqui não dissemos que todas as vezes que uma liderança troca elementos do time é porquê está numa situação de colapso. As vezes é importante trocarmos alguns elementos que não querem estar no time, que tem outras metas para a própria vida ou que não adaptaram-se ao sistema aonde estão inseridos, mas tenha certeza são excepcionalidades.
Chamamos a atenção para o fato que quando uma liderança troca muito elementos do seu time é um indicador forte de que o problema não é na equipe, mas na liderança.
Bem conceitual não acha. É parece que o estudo e compreensão da liderança ficou um pouco mais complicado do que esperávamos.

Vantagens do Treinamento in Company.

Esta é uma das razões pelas quais não abrimos mão do treinamento in company para adotar outras modalidades. Ética não funciona como matemática que é uma ciência exata e não deixa margens para variações.
Ética é construção cultural complexa e a pessoalidade do treinamento in company, o estar juntos e o olho no olho é a situação ideal para elaborarmos sobre este tema. Sendo ética algo que se constrói coletivamente, nada melhor que uma situação coletiva para que este tema seja a tônica do encontro.
Resumindo o que expusemos, a capacitação em hard skills é muito importante mesmo para a equipe e para as lideranças e não pode ser deixada de lado em momento algum. Entretanto nas épocas de crises o fiel da balança mesmo é a construção ética que o time conseguiu construir durante seu convívio e as hard skills, apesar de importantes, assumem um papel coadjuvante.

Líder invista seu tempo no aprendizado e na construção ética com seus liderados e quando mais precisar deles, não tenha dúvidas, irão apoiá-lo e ajuda-lo a resolver um problema, o qual não está vendo uma solução. Um bom começo seria investir algum tempo numa palestra sobre ética para toda a equipe.

 


Fonte da Matéria : TrainerBr

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