Gritos de Guerra – Treinamento e Desenvolvimento de Líderes


Treinamento e Desenvolvimento de Líderes – Os Gritos de Guerra.

Pergunta enviada em 29/09/17:

Sempre achei gritos de guerra uma bobagem, é forçar o time à um habito juvenil. Trabalho numa empresa que faz muito isto, principalmente em convenções, feiras etc… Meus colegas acham o mesmo, mas aderem por insistência de nosso gestor. Qual a opnião de vocês?

Pergunta inusitada, mas muito interessante.

Gritos de guerra tem uma origem ancestral, ritual e marcial. Também conhecido como chamado às armas, chamado à ação ou simplesmente warcry. É um costume ancestral chegou até nossos dias e foi incorporado nas organizações como um agente motivador de equipes. Se observar bem, verá que muitos dos hinos nacionais tem este espectro motivacional e um chamado à ação, foram influenciados pelo costume ancestral do warcry que, de alguma forma foi introduzido em nosso espectro cultural ancestral.

Para respondermos detalhadamente suas pergunta, vamos entender como funciona esta tentativa motivacional e aonde estão suas falhas.

Nosso ponto de partida começará na observação de como a vida acontecia em nossa ancestralidade.
Pessoas agrupavam-se em clãs e em pequenas comunidades que deram origem às cidades estado antigas. A razão fundamental deste agrupamento era basicamente a segurança frente à um mundo hostil aonde a competitividade pela sobrevivência acontecia em suas formas mais primitivas. Valia mais ou menos de tudo.
O acontecimento da agricultura facilitou muito estes agrupamentos, mas ainda assim estas comunidades viviam constantemente lutando umas com as outras pela supremacia territorial. Sabemos também que grupos pequenos identificam-se mais facilmente quando há algo que lhes dê uma identidade própria, uma diferenciação dos demais que os tornem uma irmandade. Os gritos de guerra, neste momento de nosso desenvolvimento, faziam um enorme sentido à estas comunidades pois traduziam toda uma forma de viver, a manifestação cultural de grupo que ali se desenvolvia e sua identificação, ou ainda diferenciação dos demais. Com o tempo adquiriu um viés ritual e uma obrigação para com o grupo da afirmativa, do compromisso e ligação cultural.
A força do grito de guerra não está no grito em si, mas no espectro cultural que era traduzido por este hábito. Na confirmação da irmandade e no compromisso coletivo que dadas comunidades nutriam entre seus membros. Era uma forma de manifestação cultural natural e espontânea. Normalmente traziam em sua manifestação uma forte identidade ritualística e cheia de símbolos. Ajudavam na concentração antes da batalha, na consolidação da condição da irmandade como algo indivisível e durante a batalha como forma de intimidação do inimigo.

Assim se vivia e assim eram os significados que se construía ao longo da vida.

 

Em nossa contemporaneidade.

O que chegou para nós como manifestação espontânea e cheia de significados do grito de guerra é o Haka.
Se já viu um jogo de rúgby neozelandês viu esta manifestação nas apresentações do All Blacks, um dos melhores times de rugby do mundo. Na Nova Zelândia, o haka é uma demonstração feroz do orgulho, da força e unidade de uma tribo. As ações incluem pisadas violentas com os pés, mostrar a língua e estirá-la na máxima extensão possível, dar tapas rítmicos no corpo para acompanhar um canto executado a plena voz, quando não aos gritos. Não é somente os All Blacks que o fazem, mas particularmente o fazem com beleza e vigor.
Fora dos campos de rugby são utilizados durante as cerimônias maori e em muitas celebrações para homenagear convidados de honra e demonstrar a importância da ocasião.
Têm sempre um fundo ritualístico e envolve, além da dança, a música, sobretudo de percussão, e palavras normalmente organizadas com estrutura poética. Os versos do Haka muitas vezes descrevem aventuras e epopeias de ancestrais e eventos da história da tribo.
O Haka é um espetáculo à parte nos jogos do All Blacks, de forte intensidade e beleza. Sabe porquê?
Sua força não está nos gestos e nem nos gritos, mas nos significados que tem para os Neozelandeses. É uma expressão de sua cultura e o que os identificam como povo, como membros de uma mesma cepa e sem o Haka, o All Blacks perdem sua particularidade. Continuariam um excelente time de rugby, mas sem charme algum.
A força está em seu espectro cultural e não no hábito. O Hábito nada mais é que uma mera consequência dos significados que o Haka tem para os maoris.
Por esta razão é que você, e alguns colegas, acham uma tremenda bobagem. Porquê não é consequência de uma construção cultural dos grupos à que pertencemos, portanto sem significados culturais para nossas formas de agrupamento.

Abordagem nas Empresas de Treinamento e Desenvolvimento de Líderes.

Não somos contra este tipo iniciativa. Porém temos de admitir, como Empresa de Treinamento e Desenvolvimento de Líderes que não tem efeitos práticos em nossa cultura, por não fazer parte dela.
O que queremos deixar claro é a que força dos gritos de guerra não está no habito, mas nos significados que levam ao hábito. Não havendo significados, não adianta o hábito e a sensação que lhe constrange é que está copiando, sem nenhuma originalidade, um hábito de outra cultura ou que está em nossa ancestralidade, mas não em nosso presente.
Já para os Maoris e os Neozelandeses não está na ancestralidade, pois conseguiram preservá-la até os dias de hoje, espontâneamente.
É copiar o que é fruto dos significados para outros, que lhes dão força, foco e concentração espontaneamente, numa tentativa de fazer o caminho inverso. Para que entenda melhor: Já que não temos um significado coletivo tão robusto o suficiente que faça com que nos manifestemos espontaneamente demonstrando todo o nosso foco, identidade coletiva e determinação coletiva, façamos ao contrário imitando os hábitos para ver se chegamos nas reais motivações que os detonaram.
Hummmmm. Parece disfuncional. E é mesmo. Por esta razão é que você tem sua percepção particular sobre esta questão.

Acontece que as Empresas de Treinamento e Desenvolvimento disseminaram muito estes hábitos num passado recente na tentativa de motivar equipes, dar-lhes uma identidade particular. Algumas organizações até produziram hinos e brasões que, rapidamente caíram em desuso por não serem uma manifestação espontânea das pessoas que as compunham.
Assim funciona o ser humano, a manifestação cultural não é de fora para dentro, mas de dentro para fora. O naufrágio nesta abordagem foi um dos aprendizados que o Treinamento Empresarial teve de passar mesmo. Testamos algumas fórmulas, podem servirem ou não e só saberemos se testá-las.
Não havendo uma identidade cultural legítima, não adianta copiar, não dará certo. É o que a experiência nos mostra.
O que consideramos que seja um Treinamento e Desenvolvimento de Líderes no caminho certo, porém difícil, é aquele que incentiva os líderes na procura da construção cultural honesta e que defina o time como ele de fato é, com originalidade. É fazer o que os All Blacks fazem com uma beleza e espontaneidade de dar inveja, o Haka sai de dentro para fora, espontaneamente. Ninguém pediu aos All Blacks que fizessem estas performances, simplesmente viram sentido em fazê-lo e o fazem. É como eles dizem uns aos outros : Eu quero fazer parte disto.

Construções culturais não são fáceis e requerem tempo para acontecerem, além do esforço diário da organização. Um belo desafio para líderes.
Dedicamos boa parte de nosso portfólio à Palestra Empresarial que toca em temas delicados como transparência, amor, ética, liderança entre outros, pois são estes conceitos que dão significados às coisas que fazemos e se quisermos possuir significados legitimados por nossas expressões culturais, o único ponto de partida possível são nossos valores comuns e o que podemos construir utilizando-se deles, como os All Blacks fizeram.
Esperamos que nossa contribuição tenha lhe dado uma resposta e não fique constrangido. Peça para seu gestor ler esta matéria e refletir sobre o tema. Uma nova abordagem pode ser o primeiro passo para outras construções coletivas em sua equipe e este poderá ser o ponto de partida.

 


Fonte da Matéria : TrainerBr

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