Subjetividade e o Treinamento Empresarial


Pragmatismo e Subjetividade – Treinamento in Company

Pergunta enviada em 10/11/17:

É uma impressão pessoal equivocada ou a subjetividade tomou conta do Treinamento Empresarial contemporâneo? Para entender melhor minha pergunta, após fazer um treinamento empresarial e que seja de bom nível você não sai com respostas, sai somente com inúmeros conceitos. Esta subjetividade toda não deixa o Treinamento Empresarial excessivamente subjetivo e pouco pragmático?

Não é uma impressão pessoal equivocada. É o momento que vivemos, mas temos de entender mais a origem de suas impressões. É importante que perceba que estamos na Era da Inovação que nada mais é do que um resultado natural de nosso desenvolvimento. Para que tenhamos sucesso em nossa resposta, é necessário entender 3 aspectos importantes de nosso desenvolvimento tecnológico e de pensamento. Depois ligaremos estas 3 características ao Treinamento Empresarial contemporâneo.

  • Revolução Industrial e o Pragmatismo.
  • Evolução Tecnológica e Responsabilização.
  • Nossa Contemporaneidade.
  • Relações com o Treinamento Empresarial.

Revolução Industrial e o Pragmatismo.

O pragmatismo surge no começo da Revolução Industrial e, muito resumidamente, é a filosofia que prega que a validade de uma doutrina é determinada pelo seu bom êxito prático. Nada mais adequado ao momento que vivíamos na época. Precisávamos de fórmulas prontas, manuais de ação, busca por cartilhas que orientassem o homem a ter êxito em seus empreendimentos, cada vêz mais de mãos dadas com a tecnologia.

Se alguma vêz viu o termo “Pensamento Industrial” ou “Cultura Industrial” tenha em mente que é um termo bem complexo e que resume as novas formas que o pensamento humano foi assumindo e desenvolvendo em função do novo modo de vida que a Revolução Industrial foi gestando ao longo do tempo. É pano para muita manga e não vamos elaborar sobre a cultura industrial, somente sinalizaremos que é uma abordagem importante e que nosso leitor poderá pesquisar posteriormente em complementação a nossa resposta.
Muito bem o pragmatismo, ao longo do tempo, foi construindo no pensamento humano o conceito de que toda e qualquer forma de se fazer as coisas poderia (ou deveria) obedecer a um método específico compreendido e controlado passo à passo, ou em cada uma de suas fases. O conceito é “o que não pode ser medido, não pode ser controlado”.

Não é um pensamento equivocado, muito pelo contrário é bem emancipador, mas não se aplica à tudo.
Ao nutrir este pensamento, o homem assume as rédeas de seu desenvolvimento e passa a ser o responsável pela construção de seu próprio modo de vida, cada vêz menos dependente de estados pregressos de organização como orientadores da vida, mas sim passa a construir o seu próprio futuro sob uma nova forma de relacionamento social e econômico que vem no bojo do liberalismo.
Entra no cenário o planejamento como orientador do empreendimento. O homem passa a planejar mais uma vêz que seu futuro, agora, será uma construção cada vêz mais individual e cada vêz menos social, substituindo as determinações de classes. Planejamento nada mais é do que assumir que ações específicas, controladas e monitoradas construirão o futuro desejado. No melhor das hipóteses terão influência decisiva na construção do futuro. Tudo estava nas mãos do homem. O conhecimento, a produção e a administração da vida ( econômica, cultural, social) etc…

 

Evolução Tecnológica e Responsabilização.

Acontece que nossa evolução tecnológica foi um retumbante sucesso e mudou muita coisa desde o começo da revolução industrial.
As máquinas cada vêz mais tiram do homem o controle da produção, a “nuvem” é aonde está o conhecimento e a administração da vida é realizada por aplicativos, por softwares etc…
A responsabilidade do homem não é mais a responsabilidade do realizador de coisas, do homem de ação de forma direta.
Agora o homem age indiretamente. Inventa e produz máquinas que irão fazer o seu trabalho. Não precisa mais de conhecimento acumulado em sua própria mente e pode ir busca-lo na nuvem, confia nos softwares e aplicativos para sua tomada de decisão, não precisa mais refletir tanto para fazer as coisas que já sabe. Seu esforço intelectivo agora pode ser redirecionado.

Na medida em que o tempo passa, cada vêz menos o homem é demandado por responsabilização em suas tomadas de decisão cotidianas.
Alguns acham que é bom porquê liberta o homem para novas formas de desenvolvimento. Outros acham ruim porquê tira o controle das mãos do homem. Não faltam defensores e detratores quando lidamos com esta questão. O fato é que a responsabilização do homem está sendo cada vêz mais demanda para aspectos da vida menos pragmáticos e mais conceituais. O que é pragmático e que precisa ser medido e controlado já estamos terceirizando para máquinas, softwares e quem sabe em breve para a I.A. (Inteligência Artificial).
Este processo é cada vêz mais evidente em nossas formas de viver.

Nossa contemporaneidade.

Nada mais natural que nossa contemporaneidade seja o ápice deste processo todo. A fórmula, a cartilha, ou seja o jeito automatizado e repetitivo de se fazer as coisas estão mudando de mãos do criador (homem) para a criatura (tecnologia aplicada à vida).
Cabe o a homem contemporâneo outras ocupações mais sofisticadas do que o fazer, medir, controlar e repetir. Este agora será o trabalho relegado às máquinas.

Então o que cabe ao homem contemporâneo?

Cabe tudo o que não é fazer, medir, controlar e repetir. Cabe em pensar em como fazer melhor. Pensar em como medir o que é importante de ser medido. Como irá elaborar métodos de controle eficazes, avançar e avançar não repetindo mais as fórmulas do passado. É a modernidade líquida aonde tudo é subjetivo, maleável e passível de ser desenvolvido. Esta é a parte mais difícil da vida.

Chamamos à isto de inovação!!!!!!!

Relações com o Treinamento Empresarial.

Nossa forma de viver reflete em tudo o que fazemos e no que valorizamos em qualquer atividade à que nos ocupemos. As Empresas de Treinamento e Desenvolvimento também estão sujeitas às leis da vida e são demandadas a atenderem o que o seu próprio tempo exige.

Sua impressão de subjetividade é exata e, ao realizar qualquer Treinamento Empresarial dedicado à qualquer tema, não sairá com fórmulas prontas. O objetivo não é dar fórmulas, mas ajudar a desenvolver o pensamento para que novas formas de se fazer as coisas possam ser gestadas e este terreno de aprendizado é bem subjetivo, ou intelectivo.
Nas próprias abordagens das Empresas de Treinamento estão escritas toda esta subjetivização das coisas. Se tiver oportunidade de visitar um portfólio de um treinamento de 50 ou 60 anos atrás, e há literaturas clássicas e disponíveis, verá que o conceito de liderança daquela época é bem pragmático e elabora métodos em formatos mais ou menos do tipo :
10 passos para isto.
7 regras para aquilo
E por aí vai. Nada mais do que a tentativa de elaborar fórmulas, passa a passo e controle para lidar com um fenômeno que sabemos que existe. Se existe iremos dispensar esforço para controla-lo e administrá-lo.

 

É !!!!!, mas com algumas coisas da vida isto não funciona tão bem e somos demandados a sairmos de nosso espectro de pensamento (sair da caixa) e procurar por novas e inovadoras formas de se fazer as coisas, qualquer coisa.

Se houvesse um passo a passo preciso para o amor, para a criatividade, para a inovação, para a ética e para os relacionamentos, todos os nossos problemas seriam resolvidos. Era somente todos seguirem a cartilha, voluntariamente ou não. Mas a vida não funciona assim, por mais que queiramos ou tentemos, a vida simplesmente não funciona assim e a vida é soberana, suas leis são soberanas.
Isto tráz alguns desafios interessantes ao homem moderno e um deles é saber lidar com a subjetividade na orientação de sua vida. Este aprendizado tráz um nível de responsabilização a que não estamos acostumados, afinal o processo, a cartilha e sua repetibilidade é quem tem de ser os responsáveis pelo sucesso de nossas ações, assim é que define o pensamento industrial.
A subjetividade impõe responsabilização por conta de tomada de decisões que serão originadas, não mais pelo processo, mas pela reflexão, capacidade de inovação, liderança e pelo intelecto humano. Estres são os nossos tempos.

Um Treinamento de Liderança do passado certamente iria lhe dar o passo a passo, a cartilha ou a fórmula. Agora o Treinamento de Liderança contemporâneo o estimula à pensar e decidir. É bem mais complexo do que dar o passo à passo, não acha?

O Treinamento de Vendas vai pelo mesmo caminho, ao invés dos 8 passos para pessoas altamente eficazes ou os 10 segredos para se tornar um super vendedor, a abordagem agora é como fazer negócios com o seu cliente que o diferencie dos demais competidores? Bem mais complexo não é?

Complexo por que são subjetivos, estimulam o trainee a pensar, criar, inovar ou fazer o que não está previsto nas cartilhas, nas fórmulas prontas e ninguém o fez anteriormente.
Estes são os tempos que vivemos e o homem está diante de desafios novos. Fazer, automatizar e repetir já sabemos faze rmuito bem. Tão bem que podemos relegar as máquinas, processos, nuvem, I.A. e tudo mais que for de nossa criação.

O desafio agora é pensar e inovar e para isto temos de lidar com diversas subjetividades.

 

Fonte da Matéria : TrainerBr

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