Superestruturas – Treinamento In Company

Treinamento In Company – Superestruturas.

 

Este tema abordamos somente no Curso de Liderança em seus módulos avançados e aqui vamos expô-lo de forma sintética para nossos leitores começarem suas reflexões ou pesquisa sobre o tema. Afinal não é em todo Treinamento in Company que conseguimos avançar até este momento do estudo das lideranças.

Antes que prossiga avisamos que é somente para os amantes do tema. É uma leitura prolixa, conceitual e cheia de nós desatados, afinal liderança é atar nós todos os dias.

Mas afinal o que superestruturas tem de relação com a liderança? A resposta parece fácil, porém vem cheia de sutilezas em função dos modelos culturais contemporâneos que tem alguma dificuldade de relacionamento com as hierarquias, que fundamentalmente definem as superestruturas.
As Empresas de Treinamento e Desenvolvimento evitam estas abordagens na execução de suas programações pois são temas de uma certa complexidade e de espectro bastante reflexivo, o que tornaria o Treinamento In Company numa verdadeira tortura para quem deseja algo mais lúdico. Conosco não é diferente e não realizamos este estudo, à não ser em casos muito específicos e com turmas reduzidas, que tenham interesse no tema e estejam suscetíveis ao esforço que demanda uma visão mais aprofundada da liderança e suas manifestações.

Iremos aqui repetir sinteticamente os tomos do Treinamento In Company que elabora sobre as superestruturas na mesma ordem cronológica do treinamento, para que a construção conceitual se mantenha íntegra. O tema começa à ser elaborado à partir do Tomo-III.

 

Treinamento in Company – Tomo III – Superestruturas.

O termo vem, originalmente emprestado da construção civil que definiu : Superestrutura é um elemento de uma estrutura que se projeta acima da linha de base. No caso de um edifício, representa geralmente a parte do edifício situado acima do solo, em contraste, com a subestrutura do subsolo.
Para embarcações, é a área acima do convés principal. Podemos então perceber já no conceito que a superestrutura depende da existência, ou é suportada por uma base que lhe dá a característica de superestrutura.
Simples assim.
Karl Marx seguindo o mesmo conceito para entender a construção social. De acordo com a teoria marxista, a sociedade humana consiste em duas partes: a infraestrutura e a superestrutura.

  • A infraestrutura compreende as forças e relações de produção — condições de trabalho entre empregador-empregado, a divisão do trabalho e relações de propriedade — na qual as pessoas entram para produzir as necessidades e comodidades da vida.
  • Essas relações, oriundas da infraestrutura, determinam outras relações e ideias da sociedade, que são descritas como a sua superestrutura. A superestrutura de uma sociedade inclui a cultura, instituições, estruturas de poder político, papel social, rituais e o Estado.

A infraestrutura determina a superestrutura, mas sua relação não é estritamente causal, porque a superestrutura influencia a infraestrutura. No entanto, a influência da infraestrutura predomina.

Assim como na construção civil e nas relações sociais propostas por Marx a infraestrutura é quem dá o suporte para a superestrutura, porém a superestrutura é quem acaba por direcionar, influenciar e justificar a infraestrutura, através da consolidação das características da base, que possibilita uma determinada forma de superestrutura dentro de seus limites. Como consequência outras e melhores formas de superestrutura são limitadas pela infraestrutura.
Bingo!!!! Estamos diante de uma relação de afirmação/limitação de um pelo outro (superestrutura e infraestrutura) que faz gelar o sangue dos líderes de qualquer sistema.

Treinamento in Company – Tomo IV – Posições Relativas e Relacionamento entre as Estruturas.

Vemos rapidamente que existe uma relação entre as duas estruturas sociais e procuraremos traduzir este conceito para o ambiente organizacional. A abordagem agora se traduzirá, ao invés de estrutura social, na estrutura organizacional. Aqui não iremos nos deter no tempo para a explicação detalhada que esta relação é perfeitamente correlata para não extendermos demais nossa publicação. Caberá ao leitor esta pesquisa e confirmação.

Ora já é consenso de que a gestão e as lideranças nas organizações, normalmente, são posições ligadas à superestrutura e, em função de suas tarefas, mais ou menos próximas dos elementos da infraestrutura (colaboradores). São justificadas somente pela existência de uma infraestrutura que demande por esta superestrutura com seu perfil determinado.
Muito bem, o que vemos no Treinamento Empresarial contemporâneo é que a função das lideranças é exatamente o desenvolvimento da infraestrutura em função de cenários, de ambientes de negócios e do ambiente cultural. Aqui nos vemos diante de um mecanismo de forças mútuas atuando todo o tempo, mas temos de entendê-los em sua relação de reciprocidade.
Ora se a infraestrutura define a perfil da superestrutura e suas características fundamentais, uma vêz que a infraestrutura se desenvolve, acabará exercendo uma nova força sobre a superestrutura que mude seu perfil para algo novo, mais desenvolvido e que continue o processo evolutivo da organização. À não ser que consideremos que uma organização poderá seguir adiante levando em conta uma condição estática, em nossos dias uma condenação à extinção do negócio.
Nada mais natural em nossa contemporaneidade, então percebermos que o desenvolvimento mútuo não é uma ação de gestores e líderes formados no conceito politicamente correto da maioria dos Cursos In Company que abordam o tema, mas sim uma concatenação natural de forças que acontecem nas coletividades desde que se formaram e que se manifesta de diversas formas diferentes, porém, fundamentalmente sob o mesmo espectro o tempo todo.
Entenda que não somos nem contra nem à favor do politicamente correto, apenas quisemos deixar claro que, independentemente do momento cultural e da percepção ou não dos mecanismos, eles existem e atuam desde as mais primitivas formas de organização que podemos enxergar no passado pré-industrial.
Se pensar bem, foi assim que as superestruturas do passado caíram na obsolescência, por força da infraestrutura. Um relacionamento aonde não há uma forma de equilíbrio possível à não ser o desenvolvimento mútuo ou o equilíbrio dinâmico, tão comentado, mas muito pouco compreendido em seus mecanismos fundamentais.
No universo empresarial percebemos o mesmo mecanismo de forças atuando na micro estrutura que é uma organização, se comparada com a macro estrutura que é o ambiente social e econômico.

Treinamento in Company – Tomo V – O Equilíbrio Dinâmico.

Seguramente numa Palestra Empresarial que toca no tema, você já viu o termo equilíbrio dinâmico, mas sem muita explicação da razão desta abordagem e, em alguns casos, relegando-a à tentativa de se fazer prosélitos em torno de uma crença de gestão.
Mas não é. Pode até ser que o palestrante esteja repetindo o que ouviu em alguma outra fonte e acabou se convencendo sem entender muito bem do conceito, mas lá em sua origem esta observação é uma leitura de mecanismos intrínsecos que orienta as coletividades em qualquer atividade que esteja realizando, empresarial ou social.
Este jogo de forças que expusemos acima acaba por definir que a possibilidade de desenvolvimento das superestruturas seja possível somente com o desenvolvimento da infraestrutura. Caso contrário, uma superestrutura que não se desenvolve está fadada ao fracasso.
No caso de uma organização, a gestão e lideranças só poderão se desenvolver, se desenvolverem os colaboradores, é lei da vida e não há outro caminho. A alternativa é a gestão e as lideranças não se desenvolverem, neste caso a infraestrutura poderá ter dois comportamentos claros :

  • Começam à se deslocar para momentos mais primitivos da organização, o que significa colapso diante de outras organizações que, bem ou mal, acabam por se desenvolver. Colapso por obsolescência natural, até que a organização não suporte mais sua própria obsolescência e fracasse.
  • Exercem uma pressão, também natural, sobre a organização para alteração da superestrutura (gestão e lideranças). Se esta não mudar acabará no mesmo colapso e neste momento o colapso também será por obsolescência. É uma força de sutileza tal que, poucos líderes percebem. Não havendo alterações na superestrutura, a infraestrutura começará á se fragmentar, levando consigo a expertise e a experiência de anos e enfraquecendo o negócio e aproximando-o da obsolescência.

Já no caso da infraestrutura, esta encontra-se sob as leis intrínsecas da vida e não depende da superestrutura para existir. Mesmo que seja num estado primitivo, fragmentado, improdutivo, pouco organizado, suportando enormes desgastes e sofrimento, ainda assim existirá, como existiu no passado pré-industrial.
A única alternativa é o equilíbrio dinâmico, olhe à sua volta e procure identificar estas estruturas e começará à ampliar o campo de suas percepções da gestão empresarial avançada.
Resumidamente é isto. A importância de elaboramos sobre o tema é o descolamento do ideológico relativo às afirmações da gestão contemporânea e uma oportunidade do interlocutor entender qual a origem destas afirmativas. É opinião? É Sofisma Corporativo? Devo aceitar sem pesquisa, sem o escrutínio da razão?
Gestão não é ideologia, é leitura das leis intrínsecas da vida e como se manifestam no ambiente que vivemos hoje, seja nas organizações ou não.
Esperamos ter dado uma contribuição importante aos interessados no tema.

 


Fonte da Matéria : TrainerBr

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