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Foco no Resultado ou Resultado do Foco?

Foco no Resultado: Não entre Nessa.

O mundo corporativo é ornado com jargões, ou mantras, das mais diversas origens e dos mais diversos significados. Entretanto muitos deles acabam escamoteando verdadeiras armadilhas para muitos gestores e líderes, que não conseguem detectá-las pela simples falta de reflexão em torno do que é proposto, ou do que é esperado que se faça, num ambiente competitivo e tão suscetível a mudanças.

Em especial um deles é o causador de diversos prejuízos no tocante a gestão de pessoas e desenvolvimento organizacional, é o famoso “Foco no Resultado”.

Estes mantras corporativos e sua disseminação tem quase uma vida própria. Quando surgem, em função de algum autor ou mesmo algum ícone de sucesso empresarial (seja pessoa, projeto ou conceito), acabam se disseminando no ambiente corporativo, agora mais hiper-conectado do que nunca, e vão pulando de ambiente em ambiente, de mente em mente. Cada um acaba por dar para estes mantras a interpretação que mais lhe convém e, não raro, acabam inventando novas interpretações em torno deste mesmo mantra. Desta forma conceitos vão se distorcendo ao longo do tempo e gestando resultados mais negativos do que positivos.

No final o que acontece é a repetição até a exaustão de um mote, ou qualquer outra coisa que você queira chamar, e a baixíssima reflexão em torno do mesmo trazendo suas consequências comportamentais negativas em função de interpretações (ou falta de condições intelectuais para uma boa reflexão) de quem não tem muito tempo para investigar os conceitos e orientações que nos chegam todos os dias torrencialmente.

 

Foco no Resultado ou Resultado do Foco?

Como empresa de treinamento é muito comum sermos convidados a participar (como ouvintes) de reuniões de negócios e presenciarmos gestores com o hábito da forte cobrança por resultados de suas equipes e suas equipes acuadas pela falta (mesmo que pontual) de resultados. O resultado são equipes fugindo do relacionamento com seus gestores (como crianças com medo de levar broncas ou reprimendas) num processo de infantilização de comportamentos que não é óbvio para mentes menos preparadas, ou ainda equipes escamoteando mesmo e o tempo todo.
Quem não está habituado com estas reuniões, e muito menos compreende suas origens culturais, acaba com a forte impressão de que a organização é uma luta de todos contra todos aonde o mais astuto é o que se sai melhor. Mais ou menos a lei da selva aplicada às organizações humanas.

O fato é que as diversas organizações estão em níveis de desenvolvimento diferentes, no tocante a gestão de pessoas e equipes, e algumas ainda se encontram muito atrasadas no tempo, nas leituras da realidade organizacional e, consequentemente, em suas proposições de desenvolvimento dos negócios e da gestão de colaboradores.
Há gestores crentes de que fortes cobranças por resultados são o melhor caminho para que a organização continue de pé e mesmo que tenha um custo humano, a ser pago por esta cultura, acaba valendo a pena. Típico do ambiente organizacional americano dos anos 70/80, donde se originou este mote.

Estes gestores repetem a plenos pulmões que numa organização o que interessa é o resultado e suas atribuições são tantas (estes por sua vêz recebem o mesmo tratamento de sua gestão superior) que acabam não percebendo que sua carreira profissional acaba sendo idêntica a de um mero cobrador de números e nada muito diferente disto, exceto por alguns momentos de amenidades e sucessos pontuais. Passam 10, 15 ou 20 anos apenas cobrando o resultado e espremendo equipes (com um turn-over elevadíssimo todo o tempo) e aguentam desfrutando um oásis de consumo aos finais de semana, ou férias, quando não vão para o hospital com problemas cardíacos provocados pelo stress e suas consequências nefastas.

Foco no resultado aliado a baixa capacidade intelectiva acaba dando, mais ou menos para não dizer sempre, nisto mesmo.

Raramente vemos alguns gestores com uma vida profissional mais equilibrada e não tão sujeitas a contra-tempos provocados pela própria forma de produzir, empreender e se relacionar com suas equipes. Estes estão mais ou menos fora dos espectros corporativos tradicionais, são diferenciados mesmo e, não é uma coincidência, tem um preparo intelectual acima da média e são avidamente procurados pelas organizações contemporâneas.
A relação que estes gestores, com bom preparo, tem com o mantra “Foco no resultado” é bem diferente, pois acabaram percebendo que o foco mais importante de qualquer organização é o “foco nas condições e condutas necessárias para que um bom resultado aconteça”, bem diferente de seu mote original e que exige da gestão de pessoas e negócios um pouco mais do que a impetuosidade de cobrar os números com vigor.

Cobrar números com vigor nada mais é do que mais do mesmo e sempre beira a exageros e incongruências diversas.

Esta é a diferença de gestores que usam os braços para conseguir resultados e gestores que usam a cabeça para conseguir seus resultados. O desgaste da equipe e do próprio gestor é muito maior no primeiro caso e, normalmente, as relações interpessoais que nascem de ambiente assim são de muito baixa qualidade, transparência e abordagens éticas. Tudo acaba mais ou menos num jogo de empurra-empurra das responsabilidades, imputação de culpas pelos maus resultados para os outros e ainda de cada um preocupado somente em escapar destas armadilhas comportamentais de quem não tem condições para pensar e agir com mais inteligência e estratégia. Enfim o desgaste é imenso e, pior, dificilmente aferível para quem não tem algum repertório. Uma das razões (a falta de repertório) porque é o mais comum no mercado.

Já os gestores bem preparados que focam seus esforços nas “condições e condutas necessárias para que um bom resultado aconteça” conseguem construir com seus times uma outra relação interpessoal. Baseada na confiança mútua, análises o mais precisas possíveis, comprometimento, oportunidade de criação e inovação coletivas, aceitação, respeito pela alteridade e também permeada por valores éticos. Mas não é para qualquer um, exige preparo tanto técnico quanto intelectual do gestor, por esta razão são casos ainda raros no mercado.

Riscos do Foco nos Resultados e como evitá-los.

Gestores sem muitas preocupações éticas (geralmente sem muito preparo intelectual) acabam por não perceberem que caem numa armadilha perigosa e horrível quando adotam este mote inadvertidamente e tornam-se vítimas de um jogo de enganos mútuos, vitimizações e, não raro, fraudes nos resultados (corrupção, mascaramento de dados e por ai vai).

Para manterem-se em suas posições acabam passando a sua vida profissional sacrificando seus liderados, ora por imputação de culpas por não resultados e ora por cobranças desmesuradas por resultados, mas conseguem salvar seus próprios pescoços, afinal o que importa é o resultado.
Parece que para aprender a fazer isto, o indivíduo não precisa nem ir a uma faculdade e muitos menos ter um MBA, basta fazer um curso de cobrador intensivo e já sairá mais ou menos pronto.

Qual é esta armadilha e qual é o risco?

A expressão é unanimemente aceita e consta nos banners no mundo corporativo na maioria das organizações, mas esconde conceito claramente perigoso que é o conceito de que o “valor de uma conduta não está na conduta, mas sim nos resultados que ela produz”. O foco não é a conduta, o foco é o resultado. Empresas não vivem de condutas, empresas vivem de resultados.
Ou seja no momento de se avaliar uma conduta, basta olharmos para os resultados que ela produziu. Se o resultado atingiu o necessário para a corporação, a conduta é aplaudida. Se o resultado superou as expectativas, o profissional vai parar no jornal da empresa como ícone de comprometimento e sucesso. Não importa se foi as custas do desgaste da equipe, de uma “corrupçãozinha”aqui e outra ali, se alguém foi para o cadafalso por evidenciar as condutas inadequadas, se a ética foi colocada meio de lado ou outras coisinhas um pouco obscuras que devem ser varridas para debaixo do tapete organizacional, tudo em nome dos resultados.
Claro que o discurso organizacional condena tudo isto veementemente, entretanto entre o discurso organizacional e a realidade que observadores atentos captam, ainda existe uma distancia enorme a ser transposta. O disfuncional antagonismo entre discurso e ação, ainda é um grave fator de desgastes de organizações e de pessoas. Assim vemos grandes empreiteiras com suas cartas de valores de fazer Madre Tereza de Calcutá chorar de emoção, envolvidas em escândalos de corrupção que ajudam a comprometer a economia uma nação inteira por anos, montadoras de automóveis com suas campanhas de marketing exaltando a importância de produtos sustentáveis fraudando os testes de seus veículos diesel durante anos sem nenhum problema ético a ser considerado (apesar de fazerem questão de divulgar valores éticos fictícios), fornecedores de materiais para o serviço público cartelizando suas concorrências para fugirem de uma competição transparente (apesar de exaltarem sua capacidade competitiva) e por ai vai.

Transparência “de facto” para estas organizações é a morte, apesar de buzinarem aos quatro ventos que são empresas transparentes (transparência “de jure” como dizia Bauman) e o resultado final é um jogo de gato e rato interminável. De um lado organizações fazendo de tudo para varrer o lixo para debaixo do tapete contando com sua capacidade de influência da opnião pública e de outro lado, uns poucos (e informados) vigilantes e pensadores tentando levar a realidade organizacional para um estado de desenvolvimento que não seja tão medieval.
Tudo por conta de levarem o resultado a um nível de importância acima de todo o restante de condições necessárias para um bom convívio social e organizacional. Um conceito com esta força nas mentes de gestores despreparados para a inovação e uso da inteligência com o mínimo de ética dá nisto mesmo.

E assim a organização vai adiante. O foco é o resultado.

Evidenciar a ética é para nossas campanhas de marketing, no dia a dia a coisa é diferente!!! Pasme, mas assim ainda pensam e agem muitos gestores. Por outro lado, quem salva a lavoura são poucos gestores que, ao invés do foco no resultado, reorientam seus esforços para o “foco nas condições e condutas necessárias para que um bom resultado aconteça”, entretanto como dissemos anteriormente, exige preparo intelectual e técnico (ainda raros no mercado) e muito trabalho. Estes são contratados por seu peso em ouro, mesmo em nossos dias.
Estes conseguem atravessar o mar de motes corporativos mais ou menos imunes e acabam por perceberem que uma empresa vive de suas condutas sim, boas condutas que criam boas condições de resultados. O foco muda e os resultados acontecem com os menores desgastes possíveis.
Os resultados acontecem porquê as condições e condutas para que aconteçam existem, funcionam e são bem observados.
Não é muito mais inteligente?

É sabemos que é ! Entretanto a busca por gestores capacitados, éticos e inovadores ainda é a busca por agulhas em palheiros.

A pressão sempre é o resultado do desequilíbrio.

Outro resultado nefasto deste conceito, nas mentes sem preparo, redunda na pressão por resultados, que ainda gesta outros motes difusos como “bons profissionais sabem trabalhar sob pressão!”. Uma estupidêz de meio neurônio, entretanto ainda muito popular.

A coisa é tão básica, tão evidente que é difícil crermos não tratar-se de uma certa doença da racionalidade.

As organizações buscam por equilíbrio o tempo todo (nada mais natural), entretanto para que atinjam seus estados de equilíbrio, semeiam o desequilíbrio ou a pressão o tempo todo. Quem acha que pressão é equilíbrio é tao doente quanto os que acham que o equilíbrio nos isenta de ações inteligentes e de muito trabalho.
Quando a coisa não funciona, o negócio é colocar pressão mesmo, não é assim que o senso comum pensa? Botamos pressão e tudo volta ao equilíbrio, assim pensam os estultos.
Os administradores “de facto” pensam bem diferente. Se temos de trabalhar sobre pressão é porquê ainda não conseguimos boa capacitação, boa gestão de pessoas e de recursos e, ainda, um sistema de trabalho equilibrado que nos dê o resultado de que precisamos, mesmo em situações de competitividade.

Qual dos dois casos você acha que vai se desenvolver mais?

Sempre e, inevitávelmente, é mais fácil ver que a coisa não está funcionando do que entender o porquê não funciona.
É fácil ver que um relógio está quebrado, basta olhar para os ponteiros ou para o resultado que ele deveria dar. Se os ponteiros não se movem, representa que algo está errado, mesmo que não se tenha a mínima idéia da origem do problema ou o que deveria acontecer para que o ponteiro se movesse, entretanto que não está acontecendo.
Tal observação qualquer um sem preparo pode realizar, o indivíduo não precisa de um MBA para ver que o relógio está quebrado, entretanto poderá precisar de um MBA para consertá-lo, se for o “Big-Ben” ou a “Tour de l’Horloge” por exemplo.

O difícil é consertá-lo pois precisamos de um especialista e um especialista não é qualquer um sem preparo.

Não estamos aqui propondo que é fácil, estamos propondo que exige preparo intelectual, técnico e vai dar trabalho, muito trabalho, entretanto não se paga o peso em ouro para algo que não tenha um valor diferenciado. E este valor diferenciado, em nossos dias, é exatamente focar nas condições e condutas necessárias para que os resultados aconteçam com os menores desgastes possíveis, tanto humanos quanto de recursos. Damos a isto o nome de inovação. Inovar também é sair dos espectros dos motes corporativos (de baixo espectro intelectivo) e aprender a fazer as coisas de um jeito diferente e melhor para todos, ou seja mais inteligente e para ser mais inteligente precisamos de gente com mais inteligência.

Para fazermos mais do mesmo, não precisamos nem da inovação e nem de mais inteligência. Basta colocar pressão na equipe, isto já se faz há muito tempo e não é nada de novo.
Parece cartesiano demais, óbvio demais não acham? Entretanto o óbvio só é óbvio para uma mente preparada.
Decida, se quer mais do mesmo, continue fazendo o que sempre se fêz, bote pressão. Se quiser preparar-se para inovar com inteligência vai ter de aumentar seu espectro intelectual e técnico. Vai dar trabalho, não se iluda quanto a isto. Ou ainda, se você não quiser ter muito trabalho, basta que procure por algum guru que vai lhe dar a fórmula mágica do sucesso, claro por uma boa grana e geralmente antecipada, pois também para o guru o que importa é o resultado.

Bom trabalho a todos.

 

Fonte da Matéria : TrainerBr

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