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Falta de interesse na liderança?


Falta de interesses legítimos na liderança?

Pergunta enviada em 08/01/18:

Liderança é uma coisa tão fomentada, tão estimulada em todos os ambientes que é estranho percebermos que existem muito poucas pessoas interessada em serem, ou se tornarem, líderes. Poderiam me explicar por que isto acontece?

Pergunta de ouro. A resposta a este questionamento renderia um livro (ou mais), não podemos respondê-la plenamente em postagens, uma conclusão acabaria por levar a outros desenvolvimentos sobre do comportamento humano que seriam demasiadamente longas.
Entretanto podemos deixar aqui algumas provocações para que reflita e chegue as respostas. Como que um mapa da mina, entretanto tenha em mente que são provocações e não afirmativas irrefutáveis.

Nem nos módulos avançados do curso de liderança tocamos nesta questão, além de polêmica é muito complexa. Deixamos estas constatações e reflexões para o relacionamento que vamos construindo com as pessoas que circundam nossa teia de relações, ou em nossas sessões de coaching. Este é o fórum mais adequado para desenvolvimentos complexos e desta natureza.
Mas podemos começar com uma pequena provocação que servirá de nosso ponto de partida para desenvolvermos algumas questões importantes. Se perceber uma abordagem um pouco psicanalítica não se espante, é que um dos nossos colaboradores que participaram desta resposta é um psicanalista e trouxe seu toque crítico para esta elaboração. A primeira delas é :

  • A maioria das pessoas não querem liderar, não pensam em liderança como um modo de vida. Pensam em liderança como uma maneira de realização pessoal. De fato o que querem é se dar bem, o tempo todo.

Parece uma afirmação um tanto quanto ácida, mas não é fruto de opiniões pessoais, e exclusivas, de nós da TrainerBr. É fruto da observação do ambiente a nossa volta e uma aspiração natural de todo ser humano.

 

Primeira Reflexão.

O que acontece quando alguém está diante de uma proposição de que a liderança é algo que nos coloca sob destaque, que é valorizado e que possibilita realizarmos coisas notáveis?
Claro, não há como não se interessar sobre qualquer coisa que tenha estas características. Qualquer coisa que possamos fazer que nos possibilite o destaque, sermos valorizados e realizarmos coisas incríveis não é sedutoramente atrativa? Com a liderança seria diferente?
Claro que não e como consequência a liderança é uma coisa legal, que nos daria prazer e como bônus, ainda poderíamos realizar muitos sonhos pessoais.

Parece a ilustração da sedução de uma criança por uma promessa de algo que a faria mais feliz de alguma forma. Resumindo a promessa de que a criança vai se dar bem.
Acontece que na vida adulta antes de alguém se dar bem, normalmente, paga um preço para se dar bem, a não ser que seja um sortudo que se dê bem sem realizar esforço algum. Mas estes casos são pontos fora da curva e não servem para uma análise coletiva.
Chegamos então ao primeiro ponto de nossa análise que merece uma reflexão : Se liderança for me dar bem, qual preço devo pagar para liderar?

Aqui a coisa toda começa a ficar um pouco complicada.

Segunda Reflexão.

Muito bem, indo adiante após tal constatação da cruel dúvida, sabemos também que uma das características mais notadas nas últimas gerações é a ansiedade. Ansiedade que gera pressa, pressa que gera a recusa por narrativas longas para a própria vida (Pós-Modernidade, leia Jean-François Lyotard ou Zygmunt Bauman). A recusa por narrativas longas empurra o indivíduo para resultados de curto prazo como única alternativa para que seja bem sucedido.

Resumindo se vou me dar bem, tem de ser logo. Não vou esperar a vida toda para me dar bem, afinal não há garantia nenhuma de que, em tempos de velozes mudanças, as minhas escolhas e estratégias de hoje (por mais pensadas que sejam) serão recompensadas pelo “me dar bem” amanhã.
Exagerando um pouco mais e levando esta abordagem da vida ao máximo expoente posso chegar ao comportamento “Se for me dar bem, tem de ser agora e não mais tarde, não no futuro aonde tudo está por conta do imponderável e da falta de garantias. Aí o indivíduo olha para seus pais, tios e outros anciãos de seu convívio e vê que adotaram, exatamente, esta estratégia e se deram mal, agora estão por conta de uma aposentadoria magrela e contando vinténs para fechar o mês com o mínimo. Aí está a prova de que esta estratégia não funciona”

Chegamos então ao segundo ponto de nossa análise que merece 2 reflexões : Se for me dar bem, quanto tempo vou levar para me dar bem, num mundo aonde ninguém tem mais tempo?
Se está no futuro imponderável, aonde não há garantias, não seria melhor eu procurar por algo mais próximo e palpável (por que não imediato), minhas chances não aumentariam?

Precisava complicar mais ainda?

O Obstáculo cultural contemporâneo.

Para colocar um pouco mais de pimenta nestas reflexões aparece a psicóloga Angela Duckworth que, após estudos consistentes incluindo seus estudantes, cadetes de Westpoint, professores e executivos de diversas organizações afirma categoricamente, e cientificamente, que o sucesso (ou o se dar bem) demanda mais paciência e determinação do que capacitação propriamente dita. Afinal a capacitação que não se tem hoje pode se adquirida amanhã, desde que haja determinação para tal.
E não dá fórmulas, somente conceitos amparados por análises consistentes.(recomendamos o livro de autora cujo título em portugûes é “Garra”)

Não, não, paciênciaaaaa…… Não!

Agora explique para uma geração de ansiosos, que tem pressa por resultados (ou se dar bem) que a liderança (ou o sucesso) só se consegue as custas de um preço a ser pago. É necessário o investimento de tempo, num mundo aonde ninguém tem tempo e tudo é veloz. Não há garantias de resultado e ainda por cima demandará uma determinação e perseverança que não são comuns na maioria das pessoas.
Metaforicamente é tentar convencer alguém que quer viver a vida como um corredor dos 100 metros rasos de que, no fundo no fundo, ele devia é estar mesmo preparado para uma maratona.

Convence?

É uma das razões por que, quando entendem o que é de fato ser um líder, muitas pessoas simplesmente desistem.

Estímulos Ineficazes.

Como um tema tão fomentado e tão incentivado produz tão poucos resultados práticos? Pode ser uma outra forma de fazer sua pergunta? Vamos entender outra questão que deriva das observações acima, observando as empresas de treinamento contemporâneas.
Se o treinamento empresarial não se adaptar ao público a que se destina, simplesmente não haverá público, portanto não haverá, também, as empresas de treinamento. A relação de uma com a outra é quem molda o treinamento de liderança de nossos dias. A demanda de uma define o portfólio da outra, no caso as empresas de treinamento.
Para que haja algo sintonizado, minimamente, com as expectativas e modelos culturais que desejam entender o que é a liderança, a primeira expectativa (de ambos – quem contrata e o contratado) é que uma expertise sofisticada (como a liderança) nos ajude a viver e atingir nossos objetivos, mas tem de ser rápido! Não pode ser uma maratona, mas sim uma corrida de 100 metros rasos, afinal a fila anda.

Se vivemos com ansiedade, queremos resultados rápidos e não temos muito tempo para investimento em estudos e desenvolvimentos longos (narrativas longas), o que quer que seja proposto deve se aproximar de tais características culturais, ou nada de negócio feito.
Como consequência natural é que os portfólios sejam os menos extensos, mais normatizados e que produzam (ou se proponham a produzir) os resultados mais rapidamente possível.

Bingo!!! Temos a fórmula do treinamento de liderança empresarial contemporâneo. Coisas de gurus mesmo.

Só que não formam líderes! É por isto que você, e mais um universo imenso de pessoas, fazem esta pergunta, e com razão.

De fato usamos o curso de liderança para lhe exemplificar estes mecanismos naturais de nossos tempos, mas a mesma coisa acontece com a maioria do treinamento empresarial contemporâneo, desde um simples curso de gestão financeira até o mais sofisticado curso de gestão de pessoas. Se isto é bom ou ruim ficará por conta de sua reflexão (mais uma).
Afirmamos que para temas mais simples pode funcionar muito bem, mas para um tema tão profundo (ou conceitual) como a liderança, não funciona tão bem assim. Há temas para os quais até uma palestra empresarial resolveria o problema, mas há outros temas em que o estudo há de ser continuado ao longo dos meses e, por quê não, anos.
Aí está a reflexão que desejamos que desenvolva, e na medida em que for compreendendo melhor estes mecanismos, também compreenderá melhor porque isto acontece, que é a raiz de sua pergunta.
Existem vacinas contra este estado de coisas? Ou que pelo menos minimize tais efeitos?

Existe, mas isto é uma outra história que lhe contaremos em outra publicação.

Até breve.

 

Fonte da Matéria : TrainerBr

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